27 de outubro de 2009

A alma do artista...

A Oficina de cinema do Projeto Vida Nova atravessa um ótimo momento, e no próximo domingo gravará o primeiro curta-metragem. A correria com os preparativos para a produção impediram que atualizássemos esse blog. Peço desculpas aos que nos acompanham.

Mas em meio à correria, um fato chamou a atenção dos voluntários do projeto, ou melhor, não é um fato, e sim, uma pessoa, chamada Joel.

Joel é adolescente da comunidade do Jd. Amália e frequenta o Projeto Vida Nova já ha alguns anos. O que poucos sabiam é que esse jovem é um grande artista, com inúmeros poemas e sonetos escritos, os quais nunca haviam sido lidos por ninguém, a não ser pelo próprio autor. Diante dessa descoberta, com a autorização do Joel, publicaremos algumas de suas obras nesse blog, pois achamos justo que todos tenham acesso a essas preciosidades.

De tempos em tempos postaremos algumas de suas produções, e de outros artistas que descobrirmos na comunidade do Jd. Amália, e pretendemos criar um espaço específico no Blog para esse fim.

Segue algumas de suas obras:


Adeus forçado

A dor de uma perda
A lagrima que vai sem destino
A vida que não tem mais sentido
O coração que não tem mais batida

O sangue que petrifica nas veias
As mãos que congelam e se tornam gelo
O ar que para de circular pelo corpo
A voz que fica abafada

Um grito de socorro
Que não se ouve
POis o amor de sua vida está morto

Um consolo
Para essa alma que sofre pelos horrores
Pois perdeu alguém querido que faz falta em instantes


Triste espera

Hoje a vejo
Sozinha parece esperar
Alguém que passa no seu pensamento
Alguém que faz parte de sua vida

Você não inspira mais felicidade
Parece estar desamparada
E tudo se esavai com o tempo e com a morte
Nada se equilibra em sua vida que parece errada

Você tinha tudo para ser feliz
E viu isso se perder
O eterno ter fim

Mas nada irá mudar
O fato de você esperar alguém
Que um dia você poderá amar

31 de agosto de 2009

Ventura

Em uma reunião com o MIS (Museu de Imagem e Som de São Paulo), na pessoa do simpático Edwin Perez, ouvimos a frase “as crianças entenderão que todas as peças da engrenagem de um filme são importantes”. Este assunto, com certeza, merece um post a parte, mas escrevo aqui por outro motivo. Algumas horas depois, pensando sobre a conversa, lembrei de outra engrenagem, aquela que move a Oficina de Audiovisual; nós, as peças que tentam (de vez em quando, com sucesso) mover a oficina laranja do Projeto Vida Nova.

Sempre ensaiei escrever sobre esta questão, mas o medo de soar piegas, falso ou político (ok, estes dois quase sempre se misturam), sempre me tirava a vontade de colocar no papel. Sem falar que já escrevi, nos primórdios deste blog, muita coisa sobre o nosso início. Mas o ponto aqui é outro: é sobre Deus – ou, se preferir, a sorte – juntando tantas pessoas especiais de diversas áreas, buscando o mesmo objetivo.

Completamos dois anos neste mês de setembro e seria um erro se esquecer de algum nome que passou por ali (foram muitos) e, por algum motivo justo, saiu, porque todos foram importantes. Porém me cedo o direito de citar os que, hoje, continuam na luta por melhores oportunidades àqueles alunos.

Um matemático que, quase por princípio, evita qualquer risco, com excelentes questionamentos sobre qualquer atividade, projeto ou ideia. Um arquiteto com um grande sonho de dirigir um filme que namora uma designer (e arquiteta) animal. Uma psicóloga que conhece cada criança. Um advogado sempre atento ao que pode (ou não) ser realizado, que tem uma irmã se formando em Meio Ambiente, e namora uma jornalista excepcional. Temos até uma chef com um bom gosto para filmes que é, sem dúvida alguma, o maior exemplo de um bom voluntário. E o círculo aumenta, porque esta conhece um amigo que trabalha na rede Record – que tem um primo diretor de teatro – e uma amiga formada em Rádio e TV que mora em Guarulhos (!). Uma amiga professora de educação física com exercícios de relaxamento (se você conhece nossas crianças, sabe que isso é necessário), que conhece na academia a atriz mais fofa do mundo, que hoje é professora de teatro aos domingos. Uma voluntária que acaba de entrar para o departamento de pedagogia na universidade que estuda. E, por último, mas nada menos importante, um vizinho cheio de boa vontade e muito presente que tem a mãe mais absurda de São Paulo. Sorte? Não. Benção Divina. Pura e simplesmente.

E só cito uma característica de alguns ali, por respeito ao blog – que já tem posts enormes demais. Mas cada detalhe é essencial. Às vezes viajo durante alguma reunião, ouvindo as (quase sempre saudáveis) discussões, pensando o quanto estas pessoas são importantes para o projeto – e, claro, assumindo o tom pessoal deste post, para mim também. É a engrenagem da oficina. São as peças deste tabuleiro. Os ingredientes bem selecionados de uma receita que, humanos que somos, nem sempre sai do melhor jeito.

Por aqui, sempre citamos a importância dos nossos alunos, mas hoje é dia de agradecer a Deus por todos os voluntários que colaboram e colaboraram de forma única e de igual importância nesta Oficina de Audiovisual.

Que todos os nossos sonhos se realizem de acordo com a vontade de Deus.

21 de agosto de 2009

CASO DE DISCIPLINA, Um Olhar Mais Otimista.

Estar perto do outro sem machucá-lo com palavras agressivas, respeitar seu espaço, não invadir, não duvidar, não desconfiar do outro. Ideais e valores que para alguns são de extrema importância, mesmo que seja a longo prazo. No entanto, por mais bonitos que sejam, parecem não ter grande importância para algumas crianças que participam da Oficina de Audiovisual do Projeto Vida Nova. Assim são elas, um pouco desinteressadas, talvez por falta de amor em casa, indiferença, falta de incentivo, entre outras razões que os voluntários chamariam de ''Caso de Disciplina'', um ''Problema Psicopedagógico'', ou mesmo um momento difícil de falta de interesse e de respeito com elas próprias.

Relatando o que ocorreu no último domingo na aula de teatro da Tia Karina Barum prefiro não entrar muito em detalhes. Com poucas palavras você, leitor, já deve entender. Sendo assim, o que não se pode comprar nessa vida é o conhecimento, a sabedoria que para alguém é dado e de alguém é passado. Nós, voluntários, se pudéssemos fazer algo pela disciplina dessas crianças, faríamos com certeza. Mas como não somos profissionais do ramo, buscamos ensiná-las com amor, com tempo, com o nosso tempo, com horas da noite acordados, horas de dedicação e muito raciocínio lógico. Nos dedicamos com idéias artísticas, com olhares pacientes, mesmo que através de uma câmera fotográfica, com muita arte, com boas maneiras, com orientações mais severas quando preciso, com amor pela natureza, pela boa alimentação, pela vida saudável, tentamos ajudá-las com individuais qualidades. Temos consciência que, infelizmente, nem sempre não é o nosso tudo, não é o nosso melhor! Sempre pensamos "está faltando alguma coisa".

Se elas não nos ajudam, não cooperam, tudo isso será em vão? E elas? Sem o conhecimento, sem sabedoria, sem amor e sem nada. O que queremos dar a elas sem ter nada em troca, a não ser o resultado de ver essas crianças mais felizes, mais certas de um futuro melhor, sem que a deixem manipulá-las com idéias que não são delas. Contudo algumas delas também procuram alguma solução. Uma delas, a Aninha, tenta falar por todas elas uma possível solução para essa fase de''Caso de disciplina''.

Abaixo o depoimento da Aninha:

1. Respeitar os amigos
2. Escutar um ao outro
3. Ouvir o que o amigo tem pra falar
4. Não falar mal do amigo

Vida Nova: É importante nos ensinar. Coisas que no futuro vamos usar muito, o respeito com os outros, que estão ao seu redor, aprender a se enchergar e não olhar os defeitos das pessoas, e ficar falando mal dessa pessoa , ouvir a verdade, aprender se está errado ou certo, saber que quando alguém te falar alguma coisa que não quer o bem só pra si mesmo, mas o que se
planta colhe. Você tem que se mostrar melhor para si mesmo e aprender a respeitar com todo o seu redor a ter respeito''. Ass: Anjo da Guarda.




Texto: Daniella Sampaio, voluntária da Oficina de Audiovisual, e Aninha, aluna da Oficina.
Fotos: Daniella Sampaio

6 de julho de 2009

Próximo Passo: Respeito e Amor ao Próximo

Conforme combinado anteriormente, o segundo tema a ser discutido com os alunos da Oficina de Audiovisual do Projeto Vida Nova será, durante o mês de julho, o respeito, e a sua solução, o amor ao próximo. De certa maneira, este é a solução de todo o mal, então, em boa parte dos assuntos abordaremos o amor ao próximo. Afinal, colocando na prática, de forma bem simplória: se amar ao próximo, você não rouba, não mata, não cobiça alguma coisa do próximo etc.


Ao fim do mês passado, já inserimos o assunto com a participação do Franco Aleluia. De uma forma clara e direta, ele contou da importância do respeito para com todas as pessoas - "é fácil respeitar àqueles que nos respeitam", disse. "Precisamos é amar aos nossos inimigos", como Jesus mostrou. Com base num verso bíblico, falou que tudo aquilo que eu faço a alguém será feito, de volta, a mim. Foi uma "senhora aula". Pena que foram apenas seis alunos àquela aula.

Neste último sábado, voltamos a tocar no assunto. Desta vez, apontamos alguns exemplos do cotidiano para mostrar outras situações onde há a falta de respeito. Primeiramente, mostramos a cena inicial de "Sete Vidas", quando o personagem de Will Smith trata desrespeitosamente um atendente de uma empresa que vende carnes. (Spoiler: Se você não assistiu ao filme, pule para o próximo parágrafo) Quem assistiu sabe que, no final das contas, Smith apenas testava o cego interpretado por Woody Harrelson, a quem pretendia doar seus olhos.

O ponto que queríamos levantar, entretanto, além do desrespeito do reclamante, era o personagem do outro lado da linha que manteve a calma e o respeito ao cliente, mesmo tendo motivos para fazer o contrário.

Logo após o trecho do filme apresentado pelo Mauro Catanzaro, Thais Guin mostrou algumas imagens e colocou em discussão o quê nelas demonstrava a falta de respeito. A faixada de um prédio inteiro "grafitada", brigas de torcida, brigas de trânsito, o lixo na Baía de Guanabara, o esgoto entupido na favela, por causa do lixo. Fotos que apresentam a falta de respeito, também indiretamente; atitudes impensadas que prejudicam a alguém que nem conhecemos, falta de respeito com a natureza, o aproveitar da posição de "mais forte".

Próximo sábado, voltaremos ao tema. Desta vez, os oficineiros escreverão e, em seguida, colocarão em vídeo e fotografia situações que causaram ou sofreram falta de respeito.

Até a próxima!

3 de junho de 2009

Teatro

Não gosto de entrar aqui e ver o que já tinha visto; mas até agora não tinha me sentido a vontade pra escrever.. talvez por não estar atualizada das novas regras ortográficas, por falta de inspiração, enfim, motivos não me faltavam, mas sentia minhas mãos correrem para clicar em postar. Então aqui estou. Vou escrever aqui simplesmente meu relato, minha visão e opinião do que vivo na ONG, sem colocar essas palavras como responsabilidade de mais ninguém.

Acho que primeiro preciso explicar algumas coisas, pra ninguém se perder no meio do caminho. Eu sou a Pam, a mesma da exposição da ONG no Shopping Campo Limpo. Confesso que não tenho um contato frequente com as crianças, mas sei exatamente como andam as coisas. Apareço lá para fotografá-las, pra ajudar em algumas atividades, mas esse não é o meu trabalho. Na Oficina de Cinema sou responsável por organizar os bastidores das coisas, procurar eventos, criar formas de apresentar nosso trabalho pro mundo de uma forma graficamente mais bonita (mas estou apenas começando com isso! muita calma que tem muita mudança pela frente!). E invento moda de vez em quando!

Mas enfim, vamos ao que interessa.
Desde o dia 29 de março, a atriz Karina Barum contatada pela Teti (voluntária mais que fofa) está gentilmente ministrando todos os domingos, das 10 as 12h aulas de teatro pra criançada da OC. Apareci por lá por apenas um dia, mas pelos comentários dos voluntários Fabi e Carioca, temos alcançado alguns resultados muito bons (e também algumas pérolas das crianças que jamais esqueceremos). É legal chegar por lá e ver as crianças todas compenetradas, por vezes interpretando, por vezes cantando... (e tem sido nesse que estamos presenciando as revelações!)  Abaixo, vc pode acompanhar alguns momentos:


Hora de cantar


Interpretando

Lendo poemas

Aquecimento

Alguns participantes das aulas

A Karina também conseguiu com a maior boa vontade do universo, para que os participantes das aulas de teatro fossem assistir a peça Cinderella, em cartaz no Teatro União Cultural neste domingo que passou (dia 31). Ao final da peça, elas puderam conversar com os diretores e atores da peça, e pelas fotos também abaixo puderam se divertir horrores!

Com a Cinderella

Com uma das irmãs malvadas

Com a Fada Madrinha

Com o Príncipe

Créditos de fotografia: Daniella Sampaio, Pamella Hein (voluntárias da OC)

E como o post já ficou enorme, paro por aqui. Tem muito mais coisas boas pra falar, mas nada como outro post pra dar uma movimentada, pra não misturar os assuntos... =P
Inté!