4 de setembro de 2011

Filhos do Vida Nova. Focos do Amália. Histórias de um futuro brilhante!






Hoje, descer para a Comunidade Jardim Amália e deixar os meninos (Carlinhos, Israel, Wendel, Vitória, Pierre e Lindomar) foi como rever a história de cada um deles, incrível! Encontrei o André, um dos protagonistas do Curta ''Forgiveness'' feito pela Ocifina de Cinema e numa conversa pequena descobri que ele está trabalhando no Banco como Jovem Aprendiz. Um mulequinho de 15 anos já está descobrindo o que é morar numa Comunidade cheia de más influencias e ao mesmo tempo escolher ter uma vida digna, honesta e diferente de muitos de lá. Hoje eu contei histórias, pedi que elas desenhassem o que havia na casa delas. Seus pais, suas coisas, seu quarto, as plantinhas, o sofá, e tudo que poderia encontrar lá. Vi plantinhas, vi panelas, vi cidades, pracinhas, carrinhos, bonecas, pessoas, felicidade em forma de desenho. Felicidade de dentro, alegria do pouco de cada uma delas. Cheias de intensidade, cheias de talento, futuro bem ali na minha frente. Fitei o olhar nelas. Enquanto as maes se encontravam no atendimento do Mutirao da Solidariedade segurei-as por um tempo. Parei para ouvi-las, observei qualquer movimento, percebi. Foi chegando a noitinha e um sorriso enorme me pedia um chocolate: Carlinhos. A tao doce figura e inimaginável, só quem o conhece pra notar tanta beleza. Retribui com um abraço, porque nada que custasse dinheiro comprava aquele sorriso. Vitor, grande. Tefinha, prestativa, crescida mentalmente, crescida no coraçao. Carol pretinha cheia de nostalgia. Kiko, persistente. Tudo isso eu percebi. Depois de noitinha, depois que desci na Comunidade Jardim Amália. Uma sensaçao dentro de mim que eu faço pouco, é preciso fazer tanto por eles... É um sentimento inexplicável que se resume em orgulho e admiraçao que eu sinto por essas crianças. Focos da Amália. Filhos do Vida nova. Histórias de um futuro brilhante!

5 de junho de 2011

Imaginacao, Criatividade e Fotografia

Em meio a trancos e barrancos, as atividades da Oficina de Cinema do Projeto Vida Nova voltaram hoje por volta da Uma e meia da tarde. A atividade foi passada pelos voluntários: Rodrigo (Carioca), Danizinha e Samuel. Com o intuito de aprender mais sobre a Historia da Fotografia e sua aplicacao pratica nos dias de hoje, as nossas crioncas puderam produzir com a construcao de uma Camera Escura. Que mais tarde desenvolverão com a técnica de pinhole uma camera de verdade, com direito a captacao de imagem, revelação e tudo. Vale a pena dar uma olhada nas fotos! Em breve teremos mais production! Aguardem!









27 de outubro de 2009

A alma do artista...

A Oficina de cinema do Projeto Vida Nova atravessa um ótimo momento, e no próximo domingo gravará o primeiro curta-metragem. A correria com os preparativos para a produção impediram que atualizássemos esse blog. Peço desculpas aos que nos acompanham.

Mas em meio à correria, um fato chamou a atenção dos voluntários do projeto, ou melhor, não é um fato, e sim, uma pessoa, chamada Joel.

Joel é adolescente da comunidade do Jd. Amália e frequenta o Projeto Vida Nova já ha alguns anos. O que poucos sabiam é que esse jovem é um grande artista, com inúmeros poemas e sonetos escritos, os quais nunca haviam sido lidos por ninguém, a não ser pelo próprio autor. Diante dessa descoberta, com a autorização do Joel, publicaremos algumas de suas obras nesse blog, pois achamos justo que todos tenham acesso a essas preciosidades.

De tempos em tempos postaremos algumas de suas produções, e de outros artistas que descobrirmos na comunidade do Jd. Amália, e pretendemos criar um espaço específico no Blog para esse fim.

Segue algumas de suas obras:


Adeus forçado

A dor de uma perda
A lagrima que vai sem destino
A vida que não tem mais sentido
O coração que não tem mais batida

O sangue que petrifica nas veias
As mãos que congelam e se tornam gelo
O ar que para de circular pelo corpo
A voz que fica abafada

Um grito de socorro
Que não se ouve
POis o amor de sua vida está morto

Um consolo
Para essa alma que sofre pelos horrores
Pois perdeu alguém querido que faz falta em instantes


Triste espera

Hoje a vejo
Sozinha parece esperar
Alguém que passa no seu pensamento
Alguém que faz parte de sua vida

Você não inspira mais felicidade
Parece estar desamparada
E tudo se esavai com o tempo e com a morte
Nada se equilibra em sua vida que parece errada

Você tinha tudo para ser feliz
E viu isso se perder
O eterno ter fim

Mas nada irá mudar
O fato de você esperar alguém
Que um dia você poderá amar

31 de agosto de 2009

Ventura

Em uma reunião com o MIS (Museu de Imagem e Som de São Paulo), na pessoa do simpático Edwin Perez, ouvimos a frase “as crianças entenderão que todas as peças da engrenagem de um filme são importantes”. Este assunto, com certeza, merece um post a parte, mas escrevo aqui por outro motivo. Algumas horas depois, pensando sobre a conversa, lembrei de outra engrenagem, aquela que move a Oficina de Audiovisual; nós, as peças que tentam (de vez em quando, com sucesso) mover a oficina laranja do Projeto Vida Nova.

Sempre ensaiei escrever sobre esta questão, mas o medo de soar piegas, falso ou político (ok, estes dois quase sempre se misturam), sempre me tirava a vontade de colocar no papel. Sem falar que já escrevi, nos primórdios deste blog, muita coisa sobre o nosso início. Mas o ponto aqui é outro: é sobre Deus – ou, se preferir, a sorte – juntando tantas pessoas especiais de diversas áreas, buscando o mesmo objetivo.

Completamos dois anos neste mês de setembro e seria um erro se esquecer de algum nome que passou por ali (foram muitos) e, por algum motivo justo, saiu, porque todos foram importantes. Porém me cedo o direito de citar os que, hoje, continuam na luta por melhores oportunidades àqueles alunos.

Um matemático que, quase por princípio, evita qualquer risco, com excelentes questionamentos sobre qualquer atividade, projeto ou ideia. Um arquiteto com um grande sonho de dirigir um filme que namora uma designer (e arquiteta) animal. Uma psicóloga que conhece cada criança. Um advogado sempre atento ao que pode (ou não) ser realizado, que tem uma irmã se formando em Meio Ambiente, e namora uma jornalista excepcional. Temos até uma chef com um bom gosto para filmes que é, sem dúvida alguma, o maior exemplo de um bom voluntário. E o círculo aumenta, porque esta conhece um amigo que trabalha na rede Record – que tem um primo diretor de teatro – e uma amiga formada em Rádio e TV que mora em Guarulhos (!). Uma amiga professora de educação física com exercícios de relaxamento (se você conhece nossas crianças, sabe que isso é necessário), que conhece na academia a atriz mais fofa do mundo, que hoje é professora de teatro aos domingos. Uma voluntária que acaba de entrar para o departamento de pedagogia na universidade que estuda. E, por último, mas nada menos importante, um vizinho cheio de boa vontade e muito presente que tem a mãe mais absurda de São Paulo. Sorte? Não. Benção Divina. Pura e simplesmente.

E só cito uma característica de alguns ali, por respeito ao blog – que já tem posts enormes demais. Mas cada detalhe é essencial. Às vezes viajo durante alguma reunião, ouvindo as (quase sempre saudáveis) discussões, pensando o quanto estas pessoas são importantes para o projeto – e, claro, assumindo o tom pessoal deste post, para mim também. É a engrenagem da oficina. São as peças deste tabuleiro. Os ingredientes bem selecionados de uma receita que, humanos que somos, nem sempre sai do melhor jeito.

Por aqui, sempre citamos a importância dos nossos alunos, mas hoje é dia de agradecer a Deus por todos os voluntários que colaboram e colaboraram de forma única e de igual importância nesta Oficina de Audiovisual.

Que todos os nossos sonhos se realizem de acordo com a vontade de Deus.

21 de agosto de 2009

CASO DE DISCIPLINA, Um Olhar Mais Otimista.

Estar perto do outro sem machucá-lo com palavras agressivas, respeitar seu espaço, não invadir, não duvidar, não desconfiar do outro. Ideais e valores que para alguns são de extrema importância, mesmo que seja a longo prazo. No entanto, por mais bonitos que sejam, parecem não ter grande importância para algumas crianças que participam da Oficina de Audiovisual do Projeto Vida Nova. Assim são elas, um pouco desinteressadas, talvez por falta de amor em casa, indiferença, falta de incentivo, entre outras razões que os voluntários chamariam de ''Caso de Disciplina'', um ''Problema Psicopedagógico'', ou mesmo um momento difícil de falta de interesse e de respeito com elas próprias.

Relatando o que ocorreu no último domingo na aula de teatro da Tia Karina Barum prefiro não entrar muito em detalhes. Com poucas palavras você, leitor, já deve entender. Sendo assim, o que não se pode comprar nessa vida é o conhecimento, a sabedoria que para alguém é dado e de alguém é passado. Nós, voluntários, se pudéssemos fazer algo pela disciplina dessas crianças, faríamos com certeza. Mas como não somos profissionais do ramo, buscamos ensiná-las com amor, com tempo, com o nosso tempo, com horas da noite acordados, horas de dedicação e muito raciocínio lógico. Nos dedicamos com idéias artísticas, com olhares pacientes, mesmo que através de uma câmera fotográfica, com muita arte, com boas maneiras, com orientações mais severas quando preciso, com amor pela natureza, pela boa alimentação, pela vida saudável, tentamos ajudá-las com individuais qualidades. Temos consciência que, infelizmente, nem sempre não é o nosso tudo, não é o nosso melhor! Sempre pensamos "está faltando alguma coisa".

Se elas não nos ajudam, não cooperam, tudo isso será em vão? E elas? Sem o conhecimento, sem sabedoria, sem amor e sem nada. O que queremos dar a elas sem ter nada em troca, a não ser o resultado de ver essas crianças mais felizes, mais certas de um futuro melhor, sem que a deixem manipulá-las com idéias que não são delas. Contudo algumas delas também procuram alguma solução. Uma delas, a Aninha, tenta falar por todas elas uma possível solução para essa fase de''Caso de disciplina''.

Abaixo o depoimento da Aninha:

1. Respeitar os amigos
2. Escutar um ao outro
3. Ouvir o que o amigo tem pra falar
4. Não falar mal do amigo

Vida Nova: É importante nos ensinar. Coisas que no futuro vamos usar muito, o respeito com os outros, que estão ao seu redor, aprender a se enchergar e não olhar os defeitos das pessoas, e ficar falando mal dessa pessoa , ouvir a verdade, aprender se está errado ou certo, saber que quando alguém te falar alguma coisa que não quer o bem só pra si mesmo, mas o que se
planta colhe. Você tem que se mostrar melhor para si mesmo e aprender a respeitar com todo o seu redor a ter respeito''. Ass: Anjo da Guarda.




Texto: Daniella Sampaio, voluntária da Oficina de Audiovisual, e Aninha, aluna da Oficina.
Fotos: Daniella Sampaio

6 de julho de 2009

Próximo Passo: Respeito e Amor ao Próximo

Conforme combinado anteriormente, o segundo tema a ser discutido com os alunos da Oficina de Audiovisual do Projeto Vida Nova será, durante o mês de julho, o respeito, e a sua solução, o amor ao próximo. De certa maneira, este é a solução de todo o mal, então, em boa parte dos assuntos abordaremos o amor ao próximo. Afinal, colocando na prática, de forma bem simplória: se amar ao próximo, você não rouba, não mata, não cobiça alguma coisa do próximo etc.


Ao fim do mês passado, já inserimos o assunto com a participação do Franco Aleluia. De uma forma clara e direta, ele contou da importância do respeito para com todas as pessoas - "é fácil respeitar àqueles que nos respeitam", disse. "Precisamos é amar aos nossos inimigos", como Jesus mostrou. Com base num verso bíblico, falou que tudo aquilo que eu faço a alguém será feito, de volta, a mim. Foi uma "senhora aula". Pena que foram apenas seis alunos àquela aula.

Neste último sábado, voltamos a tocar no assunto. Desta vez, apontamos alguns exemplos do cotidiano para mostrar outras situações onde há a falta de respeito. Primeiramente, mostramos a cena inicial de "Sete Vidas", quando o personagem de Will Smith trata desrespeitosamente um atendente de uma empresa que vende carnes. (Spoiler: Se você não assistiu ao filme, pule para o próximo parágrafo) Quem assistiu sabe que, no final das contas, Smith apenas testava o cego interpretado por Woody Harrelson, a quem pretendia doar seus olhos.

O ponto que queríamos levantar, entretanto, além do desrespeito do reclamante, era o personagem do outro lado da linha que manteve a calma e o respeito ao cliente, mesmo tendo motivos para fazer o contrário.

Logo após o trecho do filme apresentado pelo Mauro Catanzaro, Thais Guin mostrou algumas imagens e colocou em discussão o quê nelas demonstrava a falta de respeito. A faixada de um prédio inteiro "grafitada", brigas de torcida, brigas de trânsito, o lixo na Baía de Guanabara, o esgoto entupido na favela, por causa do lixo. Fotos que apresentam a falta de respeito, também indiretamente; atitudes impensadas que prejudicam a alguém que nem conhecemos, falta de respeito com a natureza, o aproveitar da posição de "mais forte".

Próximo sábado, voltaremos ao tema. Desta vez, os oficineiros escreverão e, em seguida, colocarão em vídeo e fotografia situações que causaram ou sofreram falta de respeito.

Até a próxima!

3 de junho de 2009

Teatro

Não gosto de entrar aqui e ver o que já tinha visto; mas até agora não tinha me sentido a vontade pra escrever.. talvez por não estar atualizada das novas regras ortográficas, por falta de inspiração, enfim, motivos não me faltavam, mas sentia minhas mãos correrem para clicar em postar. Então aqui estou. Vou escrever aqui simplesmente meu relato, minha visão e opinião do que vivo na ONG, sem colocar essas palavras como responsabilidade de mais ninguém.

Acho que primeiro preciso explicar algumas coisas, pra ninguém se perder no meio do caminho. Eu sou a Pam, a mesma da exposição da ONG no Shopping Campo Limpo. Confesso que não tenho um contato frequente com as crianças, mas sei exatamente como andam as coisas. Apareço lá para fotografá-las, pra ajudar em algumas atividades, mas esse não é o meu trabalho. Na Oficina de Cinema sou responsável por organizar os bastidores das coisas, procurar eventos, criar formas de apresentar nosso trabalho pro mundo de uma forma graficamente mais bonita (mas estou apenas começando com isso! muita calma que tem muita mudança pela frente!). E invento moda de vez em quando!

Mas enfim, vamos ao que interessa.
Desde o dia 29 de março, a atriz Karina Barum contatada pela Teti (voluntária mais que fofa) está gentilmente ministrando todos os domingos, das 10 as 12h aulas de teatro pra criançada da OC. Apareci por lá por apenas um dia, mas pelos comentários dos voluntários Fabi e Carioca, temos alcançado alguns resultados muito bons (e também algumas pérolas das crianças que jamais esqueceremos). É legal chegar por lá e ver as crianças todas compenetradas, por vezes interpretando, por vezes cantando... (e tem sido nesse que estamos presenciando as revelações!)  Abaixo, vc pode acompanhar alguns momentos:


Hora de cantar


Interpretando

Lendo poemas

Aquecimento

Alguns participantes das aulas

A Karina também conseguiu com a maior boa vontade do universo, para que os participantes das aulas de teatro fossem assistir a peça Cinderella, em cartaz no Teatro União Cultural neste domingo que passou (dia 31). Ao final da peça, elas puderam conversar com os diretores e atores da peça, e pelas fotos também abaixo puderam se divertir horrores!

Com a Cinderella

Com uma das irmãs malvadas

Com a Fada Madrinha

Com o Príncipe

Créditos de fotografia: Daniella Sampaio, Pamella Hein (voluntárias da OC)

E como o post já ficou enorme, paro por aqui. Tem muito mais coisas boas pra falar, mas nada como outro post pra dar uma movimentada, pra não misturar os assuntos... =P
Inté! 

22 de maio de 2009

Sobre Voluntariado (ou Procura-se Voluntários)

Há alguns anos, eu era bem avesso às ONGs e afins. Essa afirmação pode até surpreender algumas pessoas que me conhecem, porque me vêem, hoje, envolvido em dois projetos sociais, sendo um de forma ainda distante.

Sempre senti uma pontada no coração ao ver algum pedinte na rua, principalmente quando é criança. Ouço ainda hoje os gritos de algumas delas pedindo dinheiro na BR 101, quando me mudava para a Bahia, em 93. "Dá um dinheiro aí", elas gritavam. A vegetação e o clima ajudavam a cena, e trouxeram um tipo de trauma até pouco tempo atrás. Eu tinha oito anos. Acho que todo mundo já passou por essa fase de compaixão. Algumas continuam nela, outros crescem e começam a fazer alguma coisa e outros regridem, chegando ao nível de tocar sua vida sem muito se importar. Mas a ideia de uma organização “terceirizando” a ajuda ao próximo - algumas funcionam dessa maneira -, tirando, assim, a tão importante "mão na massa", não me atraía e acabei desperdiçando algumas oportunidades.

Outro ponto é que essas ONGs são, em sua maioria e quase por definição, baseada em trabalho voluntário. Falando de Vida Nova, acrescenta-se, aí, a cidade: São Paulo. Um trânsito que te “rouba” umas duas horas por dia (chutando baixo), faculdade, trabalho, TFG, família e, claro, lazer - cinema, barzinho, descanso, namoro, igreja, CQC etc. E é disso, o voluntariado, que quero falar. E já peço desculpas pela introdução que saiu maior que o imaginado. Aproveito o momento pra dizer que este post é de responsabilidade minha, falo por mim, não por outros voluntários ou, muito menos, pela ONG.

Não quero reprisar como essa Oficina caiu em nossas mãos (isso, você encontra, respectivamente, aqui e aqui). O que importa é que, nos primórdios, tínhamos algo próximo de 35 voluntários. 35 pessoas para 25 alunos. Mais de uma pessoa (uma normal e uma anã) per capta. Era um grupo formado por universitários, estagiando ou só estudando, e alguns formados, já trabalhando. Fazíamos reuniões na ONG, na igreja, nas salas da universidade, pensando no que faríamos no próximo sábado. Sem muita organização – tempos depois, perceberíamos que deveria haver departamentos, mas isso é outro assunto. O que eu não sabia era que alguns estavam ali com outro objetivo, que não aquele de ajudar aquelas crianças e suas famílias. Triste. Isso se fez perceber quando em poucos meses, o número havia caído muito, ficando próximo de 1/3 do inicial.

Quem sou eu pra julgar, o que realmente aconteceu. Tenho algumas opiniões, é verdade, não quero nem começar a citá-las. Havia outras oficinas (música, lúdica, artes, das mães etc), então, não era algum descontentamento com a nossa, porque se isso fosse, poderiam se mudar para outra – sinto que já estou começando a julgar –, se tivessem entendido o verdadeiro sentido de estar ali. Curiosamente, o grupo era formado por “recém-universitários”, divididos quase milimetricamente em masculinos e femininos. Não é difícil imaginar o motivo que os movia. Notando que o grupo diminuiu, algumas pessoas e eu saímos à procura de alguns destes, sugerindo a estes a divisão do grupo para não só “desmuvucar” a sala, mas também para deixar alguns finais de semana livre para alguns, usando do bom e velho revezamento. Note que esse tratamento geralmente vem de quem precisa de um favor, o que não era o caso, mas obtínhamos respostas como se fosse. Não adiantou. A moda chegara ao fim.

Seria injustiça da minha parte não lembrar que nesse ínterim um grupo pequeno, especialmente um casal, chegava para ajudar a oficina. E ajudou muito, até uns meses atrás – quando outro projeto social o atraiu. E, ao fim do ano passado, quando pensávamos ter um número grande, e com a intenção de envolver a todos diretamente na coordenação – vale lembrar que esta era com base na disponibilidade e vontade de quem quisesse ajudar firmemente, nunca uma preferência por chegada, altura, idade, cor, tom de voz, time de futebol preferido, era natural. Acabou não dando certo, quando o ano começou, pois tivemos mais perdas.

Não vou colocar o número de pessoas que temos “na ativa”, pra não correr o risco, novamente, da injustiça. O importante é:

ESTAMOS PRECISANDO DE VOLUNTÁRIOS.

E, abrindo o coração, isto é urgente e, se não resolvido, o resultado vai ser o pior. Conversando com outro amigo da oficina, ontem, notamos que não pensamos, também por erro nosso, num tipo de, por falta de palavra melhor, herança, aquele “passar a bola”. Até já foi levantada a discussão em algum momento, mas nunca com a devida atenção. Afinal, em algum momento, a vida nos levará a outro lugar. Sem falar em algum projeto que julgaremos ser mais importante, ideal ou visualmente, em algum momento da nossa vida, estudos ou qualquer outro tipo de limitação que provirá da nossa não onipresença.

Não quero voluntários de moda – volto, aqui, pra primeira pessoa do singular, pra assumir o risco de qualquer má interpretação e ciente de que não sou ninguém pra “querer” alguma coisa, sou apenas um ajudante, mas que sabe o quão alguém “em cima do muro” atrapalha. Precisamos, ali, de pessoas que entendam a importância do projeto, a importância nossa praquelas crianças, praquelas famílias, que vejam a real possibilidade, se empenhados estivermos, de fazer uma grande diferença na vida daquelas pessoas. É lamentável que tanta gente passou por ali e não notou essa importância ou “colocava a camisa da ONG” para usar de perfume.

Não é tão difícil, mas não é fácil. Exige uma parte do seu tempo, exige vontade, noção da responsabilidade. É coração, mas também razão (soou piegas, mas é isso).  Vai diminuir o sono da tarde de sábado ou o da manhã de domingo, uma parte da semana, um abraço a menos da filha, um passeio a menos com a namorada. Vai se desanimar de vez em quando. E poderia escrever mais um parágrafo com esses pequenos sacrifícios. Não acho que seja necessário apontar, aqui, os pontos positivos. Talvez seja melhor que venha sem expectativa, se entregue sem esperar nada. O resultado disto, como um efeito dominó, você nunca verá, só sentirá. 

Lidamos com vida, com cidadania, com valores, com a busca da vida eterna (o não cristão, agora, deve se assustar). Falando nisso, não quero que entenda, você que ainda está lendo, que prego aqui um contrato vitalício com a ONG. Quase plagiando um pensador, que seja de todo o coração, enquanto estiver lá.

Deturpada, exagerada ou não, essa é a ideia do Fagner, eu, sobre o voluntariado. Até a vida me mostrar outro projeto "maior" ou, por outros motivos, deixar a ONG (tem que ser algo muito bom), continuarei tropeçando, errando e tentando acertar com isso que chamo de trabalho mais gratificante do mundo

Atualização: E você, voluntário ou não, o que pensa do voluntariado?

9 de abril de 2009

O valor da verdade

A intenção era passar alguma certeza, algum fundamento sobre o qual os adolescentes da Oficina de Cinema pudessem passar a construir suas trajetórias: a verdade!
Afinal, o que é a verdade, o que é “a coisa certa a se fazer” em determinadas situações? Ética. Em que consiste?

Um homem rico passando pela rua deixa cair uma nota de vinte reais no chão. Uma pessoa necessitada observa a nota caindo e, sabendo que é exatamente a quantia que necessita para completar o valor do aluguel da casa onde mora com sua família, entra em um dilema. A cena congela e os adolescentes da Oficina de Cinema estão encarregados de determinar a continuidade da situação apresentada.

A discussão começa acalorada e convictamente a maior parte da sala defende que o certo a fazer é pegar o dinheiro e garantir naquele mês a moradia para sua família, afinal “esse dinheiro não fará falta para aquele homem que era rico”. Outra parte da classe, uma minoria, era a favor da devolução do dinheiro, pois poderia ser que por um bom ato houvesse uma recompensa.

Argumentos e contra-argumentos acalorados pautaram a discussão, e os voluntários se encarregavam de manter a ordem e instigar a reflexão daqueles indivíduos que talvez pela primeira vez paravam para analisar friamente uma situação como aquela.

Após a exposição dos motivos de cada um para a defesa de seu ponto de vista, os voluntários Franco e Samuel levaram os adolescentes a uma profunda reflexão. Apontaram o perigo do pensamento: “O homem rico não sentirá falta” e também do raciocínio “Farei o certo, pois receberei uma recompensa”. “O homem rico não sentir falta” pode ser o princípio de pensamentos criminosos que, com o perdão de algum exagero, podem justificar até um assalto. Quanto ao “...receberei uma recompensa” nem precisamos mencionar a frustração que tal pensamento pode trazer, afinal, e se essa recompensa nunca vier?

Sem respostas para essas questões e vendo que muitas vezes a racionalidade não possui respostas para tudo, os adolescentes, que neste momento faziam um silêncio sepulcral, foram levados a meditar nas verdades apresentadas pela Bíblia: a ética cristã, da qual são adeptos os voluntários do Projeto.
A dignidade do dinheiro recebido pelo próprio trabalho, a obrigação de cada indivíduo ter para si apenas o que é seu por direito, independentemente das conseqüências, foram ali quase “simploriamente” demonstrados por meio dos relatos constantes dos evangelhos (“Dê a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”).

O dia de amanhã pertence a Deus. Ele é quem promete guardar seus filhos quanto ao que comer e ao que vestir. Quanto a nós, no dia de hoje, cabe fazer a coisa certa. Esse foi o valor absorvido pelos adolescentes naquele sábado, o qual pode dar um rumo totalmente diferente às suas vidas. Para isso temos lutado.

8 de abril de 2009

Sobre Teatro, Ânimo e Primeiros Dias do Ano na OC

Em semana de feriado, achei interessante atualizar o blog da oficina, que anda meio empoeirado. E não é por falta de assunto - nossos primeiros dias do ano ali na ONG foram especiais e marcados por pontos positivos em sua (quase) totalidade. O grande problema, como sempre, é o tempo - uma das falhas do voluntariado -, por isso peço perdão, em nome dos voluntários que escrevem aqui, pelo sumiço.

Desculpas dadas, vamos aos fatos.

No primeiro dia, o já distante 7 de março, a aula contou com uma presença muito especial. Jornalista da Rede Record de Televisão em NY - na parte de correspondência internacional -, e amigo da voluntária Fabiana Vaz, Guy Jr. estava de férias em São Paulo e aproveitou para visitar e, de tabela, dar a primeira aula do ano. Sorte nossa e daqueles alunos, pudemos ouvir belas experiências e entender a importância da verdade ou, num termo mais jornalístico, de checar a informação. Curiosamente, este assunto estava em nossa lista de "temas para abordar no ano de 2009", lista esta discutida uma semana antes em reunião de voluntários. Não bastasse a bela aula, o jornalista nos conta da possibilidade de, regressando em definitivo ao Brasil, participar mais diretamente da nossa ONG.

Pegamos carona com o Guy e mantivemos o assunto Verdade no sábado seguinte, dia 14. Aproveitamos um conto antigo - do gentio que, ao contar uma provável não verdade sobre alguém, recorre ao monge, que o faz esvaziar um travesseiro no topo da colina pra, em seguida, recolher pena por pena - para introduzir as consequências de se contar uma mentira (ou um fato duvidoso). Tal conto, é bom meritar, veio à nossa memória graças ao excelente filme "Dúvida", com Meryl Streep e Philip Seymour Hoffman, onde este é um padre e conta em sua paróquia, numa inspirada interpretação, o quão inalcançáveis são os reparos de uma mentira contada.

A história, na verdade, era apenas um exemplo. Demos, então, carta branca aos alunos para contar alguma fofoca que tenha prejudicado alguém. Dividimos a sala em 4 grupos, e cada um ficou com uma ferramenta - fotografia, fotografia com texto (lembrando os quadrinhos), vídeo e rádio-novela. Após um planejamento, com suporte de alguns voluntários, mãos á obra. Por falta de tempo, os grupos apresentaram seus trabalhos apenas no outro sábado, quando pudemos notar que o grupo voltara mais animado e comprometidos que o ano passado. Um sucinto vídeo de 1min30s, as fotografias, todas bem enquadradas, graças às aulas do ano passado e ao talento dessa garotada, e o improviso na rádio-novela. Tudo muito bem feito.

Meu tempo acabou por aqui. Amanhã, postamos os dias seguintes a estes dois sábados. Inclusive, contaremos sobre o "Teatro" do título.

Grande abraço.

16 de janeiro de 2009

Oficina de Cinema - Projeto Vida Nova 2009

De fato, o ano de 2009 começou há alguns dias, e é verdade que não há muito pra falar sobre a OC versão 2009 - há muito o que fazer neste início de ano, isso sim. Porém, apenas para deixar o CinemaFranco ainda "vivo", resolvi passar por aqui.

Por ora o que temos a dizer é que ao fim do ano passado, com o objetivo de otimizar a coordenação da Oficina, toda a equipe de voluntários foi dividida em departamentos. Uma coisa óbvia e que, na teoria, funciona muito bem. Aqui, com certeza, com muito comprometimento de todas as partes, funcionará também na prática.

Provavelmente, novos alunos aparecerão, como é comum nessa parte do ano, muitos mudarão de oficina (àqueles que não conhecem o projeto, as oficinas são divididas por idade), outros, infelizmente deixarão o projeto, enfim, muitos novos desafios. Portanto, boa sorte pra todo mundo.

Um excelente 2009 a todas as crianças do Vida Nova e a todos nós voluntários!!!

22 de dezembro de 2008

Do Nosso Lado


Em meio à garoa, em uma noite fria na cidade de São Paulo, foi fácil confundi-los com o lixo. Qualquer saco plástico embaixo de pontes ou prédios, um amontoado de papelão, qualquer movimento, já se diminuía a velocidade do carro e os vidros se abaixavam à procura deles. Não eram animais, como cães ou gatos, que dedicamos nosso sorriso de compaixão toda vez que encontramos algum na rua sem dono; eram, sim, homens e mulheres, dos mais jovens aos mais velhos, do sozinho embaixo do viaduto ao casal aconchegado próximo a igreja. São aproximadamente 10.000 moradores de rua na maior metrópole do país.

Cansados de apenas conversar sobre Deus e a ajuda ao próximo, um grupo de amigos resolveu sair às ruas de São Paulo. Não com a pretensão de resolver os problemas dos moradores de rua. Desejavam buscar um contato maior com essas pessoas tão próximas, mas de realidade tão distinta. Depois que o gerente do restaurante da UNASP Campus I gentilmente cedeu quase todo o alimento necessário, a equipe preparou sanduíches, sucos e rumou à Santo Amaro, bairro da Zona Sul da cidade.

Poucos minutos no local e já encontraram junto ao Terminal de ônibus a primeira família. “Ah, aqui não tem crianças, graças a Deus”, disse um mais jovem quando perguntado sobre a questão de menores na rua. “A única criança aqui é a minha mulher”, atravessou um senhor negro de barba branca, dentro de uma barraca com a sua companheira. Uma enfermeira do grupo demonstrou preocupação com a situação. “Mas o senhor usa sempre camisinha, certo?”. O senhor desconversou. A alguns metros da cena, o rosto de outro ajudado sangrava. Não dava pra saber o motivo. O medo misturado com a inexperiência nesse tipo de situação fez a moça entregar o lanche e voltar rápido, preocupada com a própria segurança. O que teria acontecido? Como irá se tratar? No carro, a notícia do sangramento trouxe uma sensação de agonia: “nada será suficiente”. Sensação que voltaria mais tarde aos corações daqueles jovens, e jamais sairia.

Como marinheiros de primeira viagem, um erro em poucos minutos foi notado. Apesar de haver muitos necessitados, aquele não era o bairro certo. Era difícil encontrá-los. O centro de São Paulo sem dúvida é também o centro dos moradores de rua, por isso, rumaram para lá. No caminho, ainda em Santo Amaro, encontraram outros amigos e, juntos, distribuíram àqueles que avistavam no caminho mais alguns lanches.

Agora, eram três carros. Todos com um pouquinho de suprimento. Chegaram ao centro e em alguns minutos o primeiro carro ligava ao outro de trás. Sua parte havia acabado e, por ser tarde, voltavam para casa. “Vai faltar muito lanche”, o restante pôde perceber. Não estavam errados. Se outrora se procurava a quem dar, dessa vez tropeçava-se neles, à medida que o grupo se aproximava do marco zero da cidade.

Próximo à Prestes Maia, um homem magro estava com um dos braços estendidos, parado, sem camisa, olhando pra sua “casa” de papelão e plástico, como se mirasse onde pretendia ir. Os carros pararam. Uma das garotas, passageira do terceiro carro, descia apressada. Disseram pra esperar, um homem seria mais seguro. O motorista do segundo carro desceu com o lanche. O irmão deste, o cinegrafista, com medo, esquece a câmera e acompanha o entregador. Que homem era aquele? Quem seria? Um louco? Drogado? Bêbado? Ou tudo isso? “Senhor, trouxe um lanche para o senhor”, dizia o motorista. Ignorado, tentou novamente. E outra vez e mais uma. Aquele homem agora voltava lentamente para aquilo que chamava de leito. Sem dar nenhuma palavra, sem virar o rosto, sem nem se interessar pelo lanche. Como que desistindo, o motorista deu as costas, parou e voltou. Agora, o senhor, ainda com dificuldades para se equilibrar, se acomodava. O crack em suas mãos era possível notar. “Trouxe um lanche para o senhor, para tirar sua fome”, tentou mais uma vez. Já estava tomado pelo horror da cena quando descarregou “um lanche senhor, larga essa merda, ela vai te matar, larga essa merda” e deixou a refeição ao lado do homem. “Não importa se é bêbado, drogado ou se ele acha que quer ficar ali, é um humano vivendo como um cão. É simples!”, disse o motorista quando voltou ao carro, fazendo referência a tantas desculpas usadas ao se deparar com um pedinte.

No caminho, seguindo para a Praça João Mendes, encontraram mais quatro simpáticos moradores da rua embaixo de um viaduto. 200 metros dali, um punhado de jovens se amontoavam em frente a uma casa de dança. Não é sensacionalismo afirmar que surdos somos para não notarmos o grito silencioso daqueles que precisam de ajuda. Estão do nosso lado todos os dias. De tão cegos, tropeçamos neles e continuamos a fazer nada.

Chegaram à praça do fórum, onde entregaram os últimos sanduíches e sucos. Um casal bonito e bem cuidado dormia aconchegado à porta do prédio. Imagem tão linda quanto curiosa. Na volta, não sabiam exatamente qual sentimento manteriam em seus corações. A tristeza de não terem feito nada comparado a milhares daqueles existentes na cidade ou a vontade de cada dia fazer mais. Mantiveram aquele que fará ainda muita diferença.

Orgulho? Que orgulho teriam se com o quê comumente resta do restaurante mais o resto do dinheiro e com a força que restou ao fim de semana, puderam saciar a fome de poucos necessitados? De resto já estão fartos. Precisam de mais. Nós precisamos de mais. Enquanto o homem se enganar pensando que quanto mais se tem mais se deve ganhar, acumular-se-ão, dia após dia, mais e mais humanos desejando viver como nossos cães. Portanto, não façamos da ajuda àqueles que menos têm uma moda, que aos olhos é tão belo, mas ao fim da estação se acaba. Empenhemos mente e coração na busca de, senão uma solução, uma melhora na vida do nosso próximo.

4 de novembro de 2008

Retrat(ação): Olhares do Amália

Se fosse pra eu citar um dia que sempre será lembrado na Oficina de Cinema do Projeto Vida Nova, diria 1º de novembro de 2008. E penso não estar sozinho na escolha. Afinal, essa foi a data de abertura da nossa primeira exposição fotográfica, “Retrat(ação): Olhares do Amália”, primeiro resultado público do trabalho de nós, voluntários, dos alunos e do grupo Mnemocine, professores do curso de fotografia.

Mas para alguns, realizar este evento não foi muito simples. Incontáveis e-mails discutindo sua realização, madrugadas pensando no projeto (que o digam Pamella Hein e Rodrigo Serafino, arquitetos idealizadores da parte visual), mudanças de data, busca dos melhores preços, imprevistos inacreditáveis, orçamento apertado, viagens (algumas em vão) a distantes bairros de São Paulo (Samuel Siqueira e Fabiana Vaz foram para no Brás) buscando o melhor material, muita cara de pau, cobrança dos patrocinadores. Impossível lembrar de todo o trabalho dos oficineiros até chegar esse dia. Até o presidente da ONG, Erick Pomin, precisou intervir em um momento onde já se sentia, entre alguns voluntários, aquele ar de “já era, a exposição”.

E ainda nem falei dos últimos instantes, aqueles que já estávamos com parte do material em mãos. O já citado casal Rodrigo e Pamella já havia perdido noites de sono terminando o projeto - aquela parte que é feita usando apenas conceitos e muitas idéias. Os dois tinham até passado para o computador, deixando tudo redondinho pra nós, leigos, entendermos. Na quinta, voluntários puderam passar boa parte da noite cortando, lavando (no chuveiro!) e secando (com pano de prato!) acetato e montando algumas caixas, pra adiantar o trabalho que só terminaria com a chegada do material da gráfica na sexta.

Na noite do dia 31, voltamos para terminar o trabalho, já com tudo em mãos. Alguns ali não imaginavam que a noite seria tão longa. Pra economizar o seu tempo de leitura, vou pular as inúmeras atividades realizadas, que iam desde minuciosos cortes de adesivo pela Pamella e Rodrigo, com participação de Thais Guin, até o leva e traz de sensíveis caixas de papelão. Chegamos, enfim, ao Shopping Campo Limpo para a montagem definitiva. Depois de alguns minutos em frente ao portão errado e outros em frente ao correto, conferindo os nomes dos autorizados, adentramos ao Shopping. De lá, sairíamos na manhã do sábado, duas horas antes do evento. Isso, “no talo”.

“No talo” descreveria também o nosso material. Onde já se viu uma equipe realizar uma exposição sem nenhuma margem de erro. “Teremos 65 caixas na exposição”? Ok, 65 caixas compraremos. Um minúsculo acidente, uma caixa com defeito, um acidente de percurso, qualquer erro e teríamos um “buraco” na exposição. Nem nos adesivos, usamos previmos qualquer erro. Uma colagem errada (aquela “bolha” tão comum em qualquer adesivagem), um corte errado, qualquer coisa impactaria diretamente na exposição. Sem falar que, no caso de acontecer algum imprevisto, não teríamos nem como correr atrás de material substituto – alguém aqui conhece loja Kalunga que fucione 24 horas? E gráfica? E uma fábrica ou revendedora de caixas de papelão (!)? Incrível, mas tudo saiu como deveria sair.

Um café da manhã abriu o tão aguardado evento. Emocionantes palavras do presidente Erick Pomin, do superintendente Eduardo Jorge e da Sonae Sierra Brasil pela pessoa da Lídia Gomes anunciavam oficialmente a abertura da exposição. Uma recompensa surpreendente. Tanta felicidade nos olhos dos alunos ao verem suas fotos sendo apreciadas por todos os presentes e tanta gratidão dos patrocinadores ao verem seus recursos rendendo bons frutos fizeram nossos esforços pré-exposição parecerem tão pequenos.

Tantos nomes para serem lembrados nesse momento tão importante pra Oficina. Da ONG e seu freqüente apoio. De todos os voluntários que dedicamos nosso tempo e carinho a essa empreitada. Dos alunos presentes. Dos nossos amigos que sempre nos apóiam. Da Sonae Sierra Brasil que nos deu essa oportunidade. Do Shopping Campo Limpo, por ceder seu espaço e pela doação de 10 câmeras fotográficas conseguidas pelo superintendente Eduardo Jorge - que essa parceria perdure por muito tempo.

Por último - e mais importante - um agradecimento a Deus que esteve presente em todos os momentos, desde a aprovação do projeto de Oficina de Fotografia até essa tão memorável exposição que estará na memória da Oficina de Cinema e de seus participantes para sempre
. E que venha a Rouanet!!!





Acima, a prova do crime. De frente para trás, Pamella, Rodrigo (arquitetos absurdos), Fagner, Stela, Marina, Thais e Mauro. Samuel e Fabiana estiveram lá também. Muitos outros ajudaram, mesmo que não presentes, mas de alguma maneira.

18 de setembro de 2008

Oficina em Quadrinhos

Ao contrário de seu Blog, que não é atualizado desde 11 de agosto, a Oficina de Cinema do Projeto Vida Nova continua bem. No último domingo, finalizamos a Oficina de Fotografia. Ministradas pela Mnemocine, as aulas merecem até um post a parte, com mais detalhes, portanto, não vou tocar muito no assunto. Pra dar uma idéia, muito em breve, as fotos estarão expostas no Shopping Campo Limpo, localizado nas redondezas da comunidade.

Há alguns sábados, demos início a uma atividade bem interessante: História em Quadrinhos. Numa conversa informal com o professor Flávio Brito (Mnemocine), tivemos a confirmação de algo que já havíamos pensado, mas que o preconceito atrapalhou um pouco: o uso das HQs como disciplina para a Oficina. "(A HQ) é o contrário do Rádio, onde você ouve o som e imagina as imagens. Nas HQs, você vê a imagem, lê os diálogos e imagina o som", simplificou Brito.

Não deu outra, em algumas semanas estaríamos introduzindo o tema no Projeto Vida Nova e a coisa renderia mais do que imaginávamos. Criamos as nossas primeiras tiras. Depois de uma rápida explicação sobre o mundo dos quadrinhos, apresentada por Wesley Modro, partimos para a atividade. Aplicando algumas histórias da Bíblia, os alunos fizeram suas versões das histórias e as colocaram no papel em forma de gibi.

As HQs dos alunos, como uma surpresa pra eles (mais do que merecida), serão transformadas em um gibi de verdade, com boa qualidade e ficará na ONG, numa futura Gibiteca, disponível para quem quiser ler.

Agora, é continuar a correr atrás da Lei Rouanet, de mais patrocínios, mais amigos, mais professores e buscar sempre a melhor forma de lidar com as crianças. Falando nisso, estamos conseguindo um acompanhamento psicológico com os alunos - nem sei se poderia escrever isso por aqui.

11 de agosto de 2008

Corta! Nosso Primeiro Dia de Gravação

Não sei se é empolgação minha, mas o primeiro “Corta!”, dito no último sábado, dia 9 de agosto, entrou para a lista dos melhores momentos da Oficina de Cinema do Projeto Vida Nova. Esse dia marca o começo das gravações do nosso primeiro curta-metragem.

Pra quem não está acompanhando o blog, este curta é o primeiro de dois, escrito pelos próprios alunos. Com o tema aborto ou gravidez precoce, eles criaram uma história e fizeram o primeiro esboço de roteiro, que, mais tarde, foi revisado por Marina, Mauro e eu. Depois de alguns sábados de ensaios, achamos que, para termos um produto até o fim do semestre (essencial, para quem pretende buscar patrocínio), teríamos que começar ainda no mês de agosto as gravações. E assim o fizemos.

Com a ajuda do professor de teatro Ricardo Fialho e a queridíssima Aninha, formada em Rádio e TV, que vêm ajudando desde o começo dos ensaios, gravamos um pouco do curta 2 (ainda sem título), do grupo da Marina. Além destas pessoas, outra também foi extremamente importante; a dona da nossa primeira locação. Difícil alguém ceder sua casa para quase dez crianças, entre atrizes e maquiadores, sem contar nós, voluntários e professores. Por meio da Marina, chegamos a Susie, que gentilmente cedeu sua casa, seu quarto, sua cama, água, enfim, tudo.

Yasmin, uma de nossas alunas, filmou, sob direção ora da Aninha (que também ajudou com a fotografia) ora do Ricardo e algumas poucas interferências minhas, a primeira cena com as atrizes Sabrina, Jéssica, Jéssica e Emilie. Gravamos das 17h15 á 19h15, dois planos gerais e alguns closes. Foi um bom aproveitamento. Com apenas duas horas, poderemos, na hora da edição, aproveitar algo próximo de um minuto. Excelente.

Além das pessoas citadas, gostaria de agradecer à CineVideo, que gentilmente emprestou o material para iluminação, e, como de costume, a todos os voluntários. Alguns (Rodrigo, Mauro, Marina, Thais e outros) com a mão na massa, que chegaram mais cedo, para acertar a locação, e outros (Stela e Fabi) encarando uma reunião da ONG sobre projetos futuros desta. Sem falar o retorno do Wesley Modro à "grade" de voluntários.

29 de julho de 2008

Entre Quatro Paredes

“Na educação, fracassos são mais importantes que sucessos. Nada é mais triste que uma história de sucessos”. A frase é do livro “O Ouvido Pensante”, de Murray Schafer, e foi apresentada pelo professor de cinema da FAAP Flávio Brito, na primeira reunião entre Mnemocine e voluntários que aconteceu esse domingo na sede da ONG. Reunião esta que marca também o retorno de um dos “primatas” da Oficina de Cinema do Projeto Vida Nova, Rodrigo Serafino.

Enquanto a reunião acontecia, apenas os professores do curso de Fotografia ficaram com os alunos. Como não estávamos presentes, não tem como contar como foi. Após a aula, conforme combinado e acertado com as crianças, com mais de uma semana de antecedência, houve uma exibição de dois curtas de animação, um sobre lendas nacionais e outro, a arte de contar histórias. O objetivo, integrar voluntários, professores, alunos e famílias destes. Mais a frente, retomarei esse assunto.

Na reunião, Samuel, Mauro, Rodrigo, Thais, Fabi e eu (mais tarde, chegaria Marina), trocamos idéias sobre técnicas pedagógicas e sobre a Lei Rouanet (o nosso projeto fica pronto no próximo mês), entre outros assuntos, com Flávio, o consultor pedagógico da Mnemocine. Aprendemos bastante e vimos, novamente, no grupo uma possível duradoura parceria. Mas são inevitáveis perguntas do tipo “será que chegaremos a esse nível?” (me refiro às oficinas citadas na reunião e outras grandes que vemos por aí), “como faremos isso?”. Escrevo isso sozinho, não falo pelos outros voluntários. Vejo em tantos projetos nomes como o da Petrobras, Votorantin, para citar as mais conhecidas, e penso o quanto inatingível isso parece ser. Invejosamente falando, baixando o nível, eu poderia muito bem dizer “assim, até eu”. Que feio. De qualquer forma, o saldo da reunião foi extremamente positivo. Com o tempo, postaremos aqui nossos planos e do que correremos atrás nos próximos meses com mais cuidado nas próximas semanas.

Ao contrário do otimismo predominante no blog, resolvi hoje registrar também o meu medo. De fato, esse sentimento já foi apresentado aqui, mas sempre precedendo alguma resposta positiva. E hoje realmente não posso garantir essa resposta, exceto uma ligação milagrosa no meio da escrita ou, quem sabe, o meu bom senso aponte o lado bom das coisas. Lado que costuma ser menosprezado.

Temos algumas dúvidas que lidamos diariamente. Qual será o próximo passo até o grande projeto? Quais recursos nós usaremos até lá? Qual o próximo tema a ser discutido? Como abordar? Quem, dentre alunos e professores voluntários, ficará até o fim? Estamos nos esforçando o bastante? E o mais importante, sem dúvida: farão essas coisas diferença na vida das crianças? Mas essas, de tanto procurarmos respostas e, temporariamente, encontrarmos, não nos causam mais desânimo. Mas no último domingo, um triste acontecimento serviu para mostrar um (para nós) novo problema; lembra da exibição que falei ali atrás, para integrar professores, voluntários e família dos alunos? Chegado o fim da aula, apenas uma mãe compareceu à programação.

Quando as crianças se animam, quando firmamos uma equipe na mesma sintonia, quando um reforço retorna, quando problemas pessoais são suportados, quando conseguimos recursos para aula de fotografia, acabamos nos esbarrando num problema lá dentro das casas de nossos alunos. Não estou aqui escrevendo revoltado com esses pais. É fato que, quando percebi, fiquei indignado, claro, mas essa revolta foi trocada por um medo de como lidar com essa emergente situação. E, pensando bem, fomos ingênuos de não perceber isso antes. A verdade é que não temos, crianças e voluntários, um apoio essencial desde o começo do projeto. Não quero generalizar, não sei o motivo de cada ausência, mas UMA mãe, em uma tarde de domingo?

Vem-me à memória a mãe de uma aluna, quando fomos apresentar o projeto de Fotografia a todos os pais. “Mas o quê minha filha ganha com isso?”, ela disse. “Antigamente, a ONG dava brindes, brinquedos, comida. Nunca mais deram”. Vimos que se a necessidade dos pais é imediata, a dos filhos destes é ainda mais. E um grupo de “playboy” chegando de pára-quedas anunciando uma aula de fotografia não parece atrair a atenção deles. Não os culpo, é sério. Não vou me delongar, colocando minha opinião sobre o quão mais embaixo esse buraco é. Se é política, cultura, educação, preconceito das partes envolvidas ou tudo isso e mais um pouco, não sei, mas um dos nossos objetivos esse semestre será deixar claro a estas famílias o quanto esse trabalho é importante e o quanto o seu apoio é necessário.

O bom senso me mostrou, ali, ali no meio, entre nós professores/voluntários e pais preocupados com o aqui e agora, aqueles meninos. Não é novidade que pérolas como “entra pra casa, filha da puta”, “vou quebrar sua boca na porrada” ou “não vai praquela merda de ONG, enquanto não terminar de arrumar sua casa” seja comum na vida das crianças – uma volta na comunidade, e frases mais criativas que essas são fáceis de ouvir. E não é mentira que soltar pipa em pleno mês de férias seja mais agradável que sentar por duas ou três horas pra aprender um pouco de fotografia, roteiro ou teatro. Por sinal, no mês de julho, não só continuamos com as aulas de sábado, como inserimos aos domingo o curso de fotografia. Ainda assim, aproximadamente 20, das 25 crianças inscritas na Oficina, compareceram em todas as aulas em julho, férias escolares e das outras oficinas da ONG.

Como já foi escrito aqui diversas vezes, não foi fácil chegar onde estamos. Mas graças aos fracassos, com o perdão do clichê, aprendemos. Tão importante quanto o diploma e a leitura dos trilhantes desse caminho, é a experiência. De fato, estamos um pouco longe da linha de chegada. Aliás, até onde pretendemos chegar se tornou uma incógnita, pois quanto mais andamos mais sentimos o quanto mais longe podemos chegar, não por nós (“jura?”), mas por essas crianças.

25 de julho de 2008

Primeira Aula de Fotografia (Vídeo)

Abaixo, um vídeo postado no YouTube pela galera da Mnemocine. Esse foi o primeiro dia na Oficina de Fotografia.

Para ler mais sobre esse primeiro dia, cliquei aqui.




Um obrigado aos voluntários, ao pessoal ponta firme da Mnemocine e a Sonae pelo apoio.

Beijo a todos.

5 de julho de 2008

Agora vai...

Mesmo em clima de férias, os adolescentes da Oficina de Cinema puderam, neste sábado, concluir a terceira etapa da produção do curta metragem, que incluía o término do roteiro, assim como definição do elenco, diretores, cinegrafistas, figurino e locações. A idéia era aproveitar as férias escolares e deixar tudo pronto para os ensaios e a filmagem que começarão na próxima semana.

A atividade começou com uma dinâmica sobre as cegueiras da vida. Escolhemos dois alunos e lhes demos a instrução de segurar um bastão de jornal e ficar com olhos vendados. Quem acertasse o outro mais vezes seria o campeão. No meio da prova, retiramos a venda de apenas um deles, sem o conhecimento do outro, criando um quadro desigual. Através desse quadro, assistido por todos da oficina, pudemos discutir sobre as injustiças que nos cercam, coisas do cotidiano que nos chegam e sobre a verdadeira cegueira.

A atividade seguiu com a finalização do roteiro. Para quem não acompanhou os posts recentes sobre a Oficina de Cinema, estamos produzindo dois filmes (curta metragem) baseados naquilo que foi aprendido durante uma palestra sobre educação sexual. O vídeo está sendo produzido pelos alunos que durante o semestre tiveram aulas de criatividade, criação de personagens e desenvolvimento de roteiro. O primeiro vídeo fala sobre o uso da camisinha, enquanto o segundo trata do aborto e suas conseqüências.

A definição dos personagens e das tarefas nos possibilitou introduzir as noções básicas de filmagem para os cinegrafistas (Yasmim, Wagner e Vítor). Após um breve treinamento, eles já partiram para ação e começaram a filmar um making off com imagens dos ensaios e dos bastidores.

Mesmo com um número reduzido de alunos em função das férias escolares, a atividade foi bastante produtiva. Ao olharmos para aqueles adolescentes comprometidos e animados com a criação do roteiro, com a história, com a possibilidade de passar uma idéia através das câmeras, não pudemos deixar de lembrar do início, quando parecíamos implorar por atenção e envolvimento. O empenho de todos da Oficina de Cinema nos animou bastante para a produção dos curtas e para buscarmos, cada vez mais, idéias e temas que possam mudar a vida desses jovens através da arte do cinema.

"Creio no Cinema, arte muda, filha da Imagem, elemento original de poesia e plástica infinitas, célula simples de duração efêmera e livremente multiplicável. Creio no Cinema, meio de expressão total em seu poder transmissor e sua capacidade de emoção, possuidor de uma forma própria que lhe é imanente e que, contendo todas as outras, nada lhes deve. Creio no Cinema puro, branco e preto, linguagem universal de alto valor sugestivo, rico na liberalidade e poder de evocação."
Vinicius de Moraes

Até a próxima semana!

1 de julho de 2008

29/06 Um grande dia para OC do Projeto Vida Nova!

Enfim chegou o grande dia, um dia que para muitos não soaria como algo tão grande, por sinal, numa análise fria, poderia ser considerado até como um dia medíocre. Mas para nós, voluntários e adolescentes da Oficina de Cinema, com certeza UM GRANDE DIA!

Neste último domingo, 29/06/2008, teve início a oficina de fotografia para os adolescentes da Oficina de Cinema do projeto VIDA NOVA.

Para que você que está lendo possa entender a razão de havermos considerado o último domingo UM GRANDE DIA, vou explicar um pouquinho de nossa trajetória até chegarmos no dia 29/06.

Do meio para o fim do ano passado, o Projeto Vida Nova se viu perante um grande dilema. “Como atrair os adolescentes que se mostram cada vez mais desinteressados pelas atividades do Projeto?” Foi quando alguns dos dirigentes tiveram a idéia de chamar alguns voluntários para iniciarem uma oficina de cinema.

Sem recursos para bancar professores profissionais, os dirigentes da ONG buscaram entre seus amigos aqueles que demonstravam um interesse especial pelo cinema, ainda que por hobby, para que pudessem dirigir a oficina que iria se iniciar. Nessa busca, toparam com o Fagner, que prontamente se dispôs a formar uma equipe para estabelecer uma oficina de cinema dentro do Projeto Vida Nova.

O desafio estava lançado, e a pessoa que vos escreve ainda nem sonhava em participar do projeto, mas soube através dos relatos que a missão não foi nada fácil. A falta de comprometimento de alguns voluntários, a decepção com algumas pessoas que pareciam ser confiáveis, a falta de experiência dos voluntários comprometidos, a apatia dos adolescentes e a falta de recursos eram, certamente, dentre outros fatores, os principais adversários para que a Oficina de Cinema pudesse deslanchar.

Entre trancos e barrancos, e com aparentemente maiores derrotas do que vitórias, alguns voluntários persistiram rumo ao alvo de ver a Oficina de Cinema transformando a vida dos adolescentes do Projeto. Foi quando um desses sonhadores, Fagner, no começo do ano me chamou para fazer parte do grupo.

Fiquei muito empolgado, mas logo me intimidei na presença de adversários tão grandes. Mas incentivado por aqueles que ali estavam a mais tempo e pela vontade de ver adolescentes tão especiais tendo a oportunidade de modificar a própria realidade, eu e os demais voluntários, embora em franca desvantagem, iniciamos o combate, com fé de que, de algum modo, no meio da luta, receberíamos a ajuda necessária para vencer.

E foi o que ocorreu, após um difícil trabalho de conscientização dos adolescentes sobre a necessidade de se comprometer com algo que lhes traria benefício, fomos atrás de profissionais qualificados para introduzir os adolescentes ao mundo do cinema e suas técnicas. Foi quando cruzamos o caminho do pessoal da Mnemocine (indicação de Rodrigo Serafino, um doas voluntários precursores da Oficina).

Acostumados com projetos dentro do terceiro setor, os professores da Mnemocine nos aconselharam a iniciar a Oficina com um módulo de fotografia, preparando os adolescentes para uma próxima oficina de vídeo, para depois uma de áudio e assim sucessivamente. Fizeram um orçamento para a execução das aulas, e a luta em busca de recursos, talvez um dos maiores inimigos, se iniciou.

Todos os voluntários iniciaram a busca. Um amigo aqui, um parente ali, um dirigente da empresa lá, e nada de conseguirmos fechar o valor, e quando pensávamos que não iríamos conseguir, a ajuda que falei a pouco, aquela que tínhamos fé que viria, enfim nos alcançou.

A empresa Sonae Sierra, administradora de shoppings centers, onde o voluntário Fagner trabalha, aprovou o projeto da Oficina de Fotografia que lhe foi apresentado, assumindo a responsabilidade pelo pagamento dos três meses integrais de curso. Nossa felicidade estava quase completa. Mas ainda nos restava a incerteza de saber se as crianças abraçariam ou não a idéia e se apareceriam no curso que se iniciaria no dia 29/06, último domingo.

Após visitas pessoais por nós realizadas na favela, onde comunicamos os pais sobre o curso que se iniciaria, além do constante incentivo à participação no curso de fotografia durante os sábados, para nossa agora completa alegria, os adolescentes apareceram em peso, empolgados para aprenderem a tirar fotos.

Em um domingo lindo e ensolarado, um marco para a Oficina de Cinema. Após alguns meses de aparentes derrotas, vimos que não foi em vão todo o esforço que empregamos, e enfim, a Oficina de Cinema do Projeto Vida Nova parecia, ali, bem diante de nossos olhos, começar a funcionar.

Tivemos a primeira saída para fotografar a comunidade, e o objetivo era que as crianças fotografassem algo que representasse o bairro. Essa atividade, de certa forma, fez com que as crianças enxergassem ou percebessem algumas coisas presentes em seu cotidiano que às vezes passam por alto na correria do dia a dia. Coisas boas e coisas ruins, um córrego poluído infestado de ratos ou uma obra de arte desenhada em um muro, o lixo jogado por toda a parte ou o sorriso de uma mãe na janela de sua casa, e um senso crítico da própria realidade parece estar se despertando de seu sono. Um passo firme rumo à transformação.

No final da aula, tivemos ainda a oportunidade de ouvir os depoimentos a respeito daquela primeira experiência com a fotografia, e foi impossível não se emocionar ao ouvir frases como “foi muito melhor aprender sobre fotografia do que ficar na rua fazendo besteira” ou ainda “obrigado por esta oportunidade”. Mal sabem eles que nós é que seremos sempre gratos pela oportunidade que nos dão de aprender a, enfim, viver de um modo que faça sentido.

No decorrer deste texto você tem a grande oportunidade de, emprimeira mão, ver algumas das fotos tiradas pelos adolescentes neste domingo, na tentativa de expressar a sua visão da própria realidade.

É só o início da reviravolta na grande batalha em que estamos inseridos, a inimizade da desigualdade, da revolta, da violência e da falta de recursos ainda tentará nos dar o troco, estamos cientes disso, mas estamos seguros que nesse momento, poderemos contar com ajuda, primeiramente de Deus, depois de pessoas e empresas que estejam dispostas a mudar o rumo natural das coisas.

Fica aqui nosso agradecimento à empresa Sonae Sierra por ter se disposto a nos ajudar nessa luta contra a desigualdade,miséria e violência. Vocês estão fazendo uma profunda diferença na vida de muitos.