Em semana de feriado, achei interessante atualizar o blog da oficina, que anda meio empoeirado. E não é por falta de assunto - nossos primeiros dias do ano ali na ONG foram especiais e marcados por pontos positivos em sua (quase) totalidade. O grande problema, como sempre, é o tempo - uma das falhas do voluntariado -, por isso peço perdão, em nome dos voluntários que escrevem aqui, pelo sumiço.
Desculpas dadas, vamos aos fatos.
No primeiro dia, o já distante 7 de março, a aula contou com uma presença muito especial. Jornalista da Rede Record de Televisão em NY - na parte de correspondência internacional -, e amigo da voluntária Fabiana Vaz, Guy Jr. estava de férias em São Paulo e aproveitou para visitar e, de tabela, dar a primeira aula do ano. Sorte nossa e daqueles alunos, pudemos ouvir belas experiências e entender a importância da verdade ou, num termo mais jornalístico, de checar a informação. Curiosamente, este assunto estava em nossa lista de "temas para abordar no ano de 2009", lista esta discutida uma semana antes em reunião de voluntários. Não bastasse a bela aula, o jornalista nos conta da possibilidade de, regressando em definitivo ao Brasil, participar mais diretamente da nossa ONG.
Pegamos carona com o Guy e mantivemos o assunto Verdade no sábado seguinte, dia 14. Aproveitamos um conto antigo - do gentio que, ao contar uma provável não verdade sobre alguém, recorre ao monge, que o faz esvaziar um travesseiro no topo da colina pra, em seguida, recolher pena por pena - para introduzir as consequências de se contar uma mentira (ou um fato duvidoso). Tal conto, é bom meritar, veio à nossa memória graças ao excelente filme "Dúvida", com Meryl Streep e Philip Seymour Hoffman, onde este é um padre e conta em sua paróquia, numa inspirada interpretação, o quão inalcançáveis são os reparos de uma mentira contada.
A história, na verdade, era apenas um exemplo. Demos, então, carta branca aos alunos para contar alguma fofoca que tenha prejudicado alguém. Dividimos a sala em 4 grupos, e cada um ficou com uma ferramenta - fotografia, fotografia com texto (lembrando os quadrinhos), vídeo e rádio-novela. Após um planejamento, com suporte de alguns voluntários, mãos á obra. Por falta de tempo, os grupos apresentaram seus trabalhos apenas no outro sábado, quando pudemos notar que o grupo voltara mais animado e comprometidos que o ano passado. Um sucinto vídeo de 1min30s, as fotografias, todas bem enquadradas, graças às aulas do ano passado e ao talento dessa garotada, e o improviso na rádio-novela. Tudo muito bem feito.
Meu tempo acabou por aqui. Amanhã, postamos os dias seguintes a estes dois sábados. Inclusive, contaremos sobre o "Teatro" do título.
Grande abraço.
8 de abril de 2009
Sobre Teatro, Ânimo e Primeiros Dias do Ano na OC
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Fagner Franco
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16 de janeiro de 2009
Oficina de Cinema - Projeto Vida Nova 2009
De fato, o ano de 2009 começou há alguns dias, e é verdade que não há muito pra falar sobre a OC versão 2009 - há muito o que fazer neste início de ano, isso sim. Porém, apenas para deixar o CinemaFranco ainda "vivo", resolvi passar por aqui.
Por ora o que temos a dizer é que ao fim do ano passado, com o objetivo de otimizar a coordenação da Oficina, toda a equipe de voluntários foi dividida em departamentos. Uma coisa óbvia e que, na teoria, funciona muito bem. Aqui, com certeza, com muito comprometimento de todas as partes, funcionará também na prática.
Provavelmente, novos alunos aparecerão, como é comum nessa parte do ano, muitos mudarão de oficina (àqueles que não conhecem o projeto, as oficinas são divididas por idade), outros, infelizmente deixarão o projeto, enfim, muitos novos desafios. Portanto, boa sorte pra todo mundo.
Um excelente 2009 a todas as crianças do Vida Nova e a todos nós voluntários!!!
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Fagner Franco
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12:17:00 PM
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22 de dezembro de 2008
Do Nosso Lado
Agora, eram três carros. Todos com um pouquinho de suprimento. Chegaram ao centro e em alguns minutos o primeiro carro ligava ao outro de trás. Sua parte havia acabado e, por ser tarde, voltavam para casa. “Vai faltar muito lanche”, o restante pôde perceber. Não estavam errados. Se outrora se procurava a quem dar, dessa vez tropeçava-se neles, à medida que o grupo se aproximava do marco zero da cidade.
Próximo à Prestes Maia, um homem magro estava com um dos braços estendidos, parado, sem camisa, olhando pra sua “casa” de papelão e plástico, como se mirasse onde pretendia ir. Os carros pararam. Uma das garotas, passageira do terceiro carro, descia apressada. Disseram pra esperar, um homem seria mais seguro. O motorista do segundo carro desceu com o lanche. O irmão deste, o cinegrafista, com medo, esquece a câmera e acompanha o entregador. Que homem era aquele? Quem seria? Um louco? Drogado? Bêbado? Ou tudo isso? “Senhor, trouxe um lanche para o senhor”, dizia o motorista. Ignorado, tentou novamente. E outra vez e mais uma. Aquele homem agora voltava lentamente para aquilo que chamava de leito. Sem dar nenhuma palavra, sem virar o rosto, sem nem se interessar pelo lanche. Como que desistindo, o motorista deu as costas, parou e voltou. Agora, o senhor, ainda com dificuldades para se equilibrar, se acomodava. O crack em suas mãos era possível notar. “Trouxe um lanche para o senhor, para tirar sua fome”, tentou mais uma vez. Já estava tomado pelo horror da cena quando descarregou “um lanche senhor, larga essa merda, ela vai te matar, larga essa merda” e deixou a refeição ao lado do homem. “Não importa se é bêbado, drogado ou se ele acha que quer ficar ali, é um humano vivendo como um cão. É simples!”, disse o motorista quando voltou ao carro, fazendo referência a tantas desculpas usadas ao se deparar com um pedinte.
No caminho, seguindo para a Praça João Mendes, encontraram mais quatro simpáticos moradores da rua embaixo de um viaduto. 200 metros dali, um punhado de jovens se amontoavam em frente a uma casa de dança. Não é sensacionalismo afirmar que surdos somos para não notarmos o grito silencioso daqueles que precisam de ajuda. Estão do nosso lado todos os dias. De tão cegos, tropeçamos neles e continuamos a fazer nada.
Chegaram à praça do fórum, onde entregaram os últimos sanduíches e sucos. Um casal bonito e bem cuidado dormia aconchegado à porta do prédio. Imagem tão linda quanto curiosa. Na volta, não sabiam exatamente qual sentimento manteriam em seus corações. A tristeza de não terem feito nada comparado a milhares daqueles existentes na cidade ou a vontade de cada dia fazer mais. Mantiveram aquele que fará ainda muita diferença.
Orgulho? Que orgulho teriam se com o quê comumente resta do restaurante mais o resto do dinheiro e com a força que restou ao fim de semana, puderam saciar a fome de poucos necessitados? De resto já estão fartos. Precisam de mais. Nós precisamos de mais. Enquanto o homem se enganar pensando que quanto mais se tem mais se deve ganhar, acumular-se-ão, dia após dia, mais e mais humanos desejando viver como nossos cães. Portanto, não façamos da ajuda àqueles que menos têm uma moda, que aos olhos é tão belo, mas ao fim da estação se acaba. Empenhemos mente e coração na busca de, senão uma solução, uma melhora na vida do nosso próximo.
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Fagner Franco
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4 de novembro de 2008
Retrat(ação): Olhares do Amália
Se fosse pra eu citar um dia que sempre será lembrado na Oficina de Cinema do Projeto Vida Nova, diria 1º de novembro de 2008. E penso não estar sozinho na escolha. Afinal, essa foi a data de abertura da nossa primeira exposição fotográfica, “Retrat(ação): Olhares do Amália”, primeiro resultado público do trabalho de nós, voluntários, dos alunos e do grupo Mnemocine, professores do curso de fotografia.
Mas para alguns, realizar este evento não foi muito simples. Incontáveis e-mails discutindo sua realização, madrugadas pensando no projeto (que o digam Pamella Hein e Rodrigo Serafino, arquitetos idealizadores da parte visual), mudanças de data, busca dos melhores preços, imprevistos inacreditáveis, orçamento apertado, viagens (algumas em vão) a distantes bairros de São Paulo (Samuel Siqueira e Fabiana Vaz foram para no Brás) buscando o melhor material, muita cara de pau, cobrança dos patrocinadores. Impossível lembrar de todo o trabalho dos oficineiros até chegar esse dia. Até o presidente da ONG, Erick Pomin, precisou intervir em um momento onde já se sentia, entre alguns voluntários, aquele ar de “já era, a exposição”.
E ainda nem falei dos últimos instantes, aqueles que já estávamos com parte do material em mãos. O já citado casal Rodrigo e Pamella já havia perdido noites de sono terminando o projeto - aquela parte que é feita usando apenas conceitos e muitas idéias. Os dois tinham até passado para o computador, deixando tudo redondinho pra nós, leigos, entendermos. Na quinta, voluntários puderam passar boa parte da noite cortando, lavando (no chuveiro!) e secando (com pano de prato!) acetato e montando algumas caixas, pra adiantar o trabalho que só terminaria com a chegada do material da gráfica na sexta.
Na noite do dia 31, voltamos para terminar o trabalho, já com tudo em mãos. Alguns ali não imaginavam que a noite seria tão longa. Pra economizar o seu tempo de leitura, vou pular as inúmeras atividades realizadas, que iam desde minuciosos cortes de adesivo pela Pamella e Rodrigo, com participação de Thais Guin, até o leva e traz de sensíveis caixas de papelão. Chegamos, enfim, ao Shopping Campo Limpo para a montagem definitiva. Depois de alguns minutos em frente ao portão errado e outros em frente ao correto, conferindo os nomes dos autorizados, adentramos ao Shopping. De lá, sairíamos na manhã do sábado, duas horas antes do evento. Isso, “no talo”.
“No talo” descreveria também o nosso material. Onde já se viu uma equipe realizar uma exposição sem nenhuma margem de erro. “Teremos 65 caixas na exposição”? Ok, 65 caixas compraremos. Um minúsculo acidente, uma caixa com defeito, um acidente de percurso, qualquer erro e teríamos um “buraco” na exposição. Nem nos adesivos, usamos previmos qualquer erro. Uma colagem errada (aquela “bolha” tão comum em qualquer adesivagem), um corte errado, qualquer coisa impactaria diretamente na exposição. Sem falar que, no caso de acontecer algum imprevisto, não teríamos nem como correr atrás de material substituto – alguém aqui conhece loja Kalunga que fucione 24 horas? E gráfica? E uma fábrica ou revendedora de caixas de papelão (!)? Incrível, mas tudo saiu como deveria sair.
Um café da manhã abriu o tão aguardado evento. Emocionantes palavras do presidente Erick Pomin, do superintendente Eduardo Jorge e da Sonae Sierra Brasil pela pessoa da Lídia Gomes anunciavam oficialmente a abertura da exposição. Uma recompensa surpreendente. Tanta felicidade nos olhos dos alunos ao verem suas fotos sendo apreciadas por todos os presentes e tanta gratidão dos patrocinadores ao verem seus recursos rendendo bons frutos fizeram nossos esforços pré-exposição parecerem tão pequenos.
Tantos nomes para serem lembrados nesse momento tão importante pra Oficina. Da ONG e seu freqüente apoio. De todos os voluntários que dedicamos nosso tempo e carinho a essa empreitada. Dos alunos presentes. Dos nossos amigos que sempre nos apóiam. Da Sonae Sierra Brasil que nos deu essa oportunidade. Do Shopping Campo Limpo, por ceder seu espaço e pela doação de 10 câmeras fotográficas conseguidas pelo superintendente Eduardo Jorge - que essa parceria perdure por muito tempo.
Por último - e mais importante - um agradecimento a Deus que esteve presente em todos os momentos, desde a aprovação do projeto de Oficina de Fotografia até essa tão memorável exposição que estará na memória da Oficina de Cinema e de seus participantes para sempre. E que venha a Rouanet!!!
Acima, a prova do crime. De frente para trás, Pamella, Rodrigo (arquitetos absurdos), Fagner, Stela, Marina, Thais e Mauro. Samuel e Fabiana estiveram lá também. Muitos outros ajudaram, mesmo que não presentes, mas de alguma maneira.
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Fagner Franco
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18 de setembro de 2008
Oficina em Quadrinhos
Ao contrário de seu Blog, que não é atualizado desde 11 de agosto, a Oficina de Cinema do Projeto Vida Nova continua bem. No último domingo, finalizamos a Oficina de Fotografia. Ministradas pela Mnemocine, as aulas merecem até um post a parte, com mais detalhes, portanto, não vou tocar muito no assunto. Pra dar uma idéia, muito em breve, as fotos estarão expostas no Shopping Campo Limpo, localizado nas redondezas da comunidade.
Há alguns sábados, demos início a uma atividade bem interessante: História em Quadrinhos. Numa conversa informal com o professor Flávio Brito (Mnemocine), tivemos a confirmação de algo que já havíamos pensado, mas que o preconceito atrapalhou um pouco: o uso das HQs como disciplina para a Oficina. "(A HQ) é o contrário do Rádio, onde você ouve o som e imagina as imagens. Nas HQs, você vê a imagem, lê os diálogos e imagina o som", simplificou Brito.
Não deu outra, em algumas semanas estaríamos introduzindo o tema no Projeto Vida Nova e a coisa renderia mais do que imaginávamos. Criamos as nossas primeiras tiras. Depois de uma rápida explicação sobre o mundo dos quadrinhos, apresentada por Wesley Modro, partimos para a atividade. Aplicando algumas histórias da Bíblia, os alunos fizeram suas versões das histórias e as colocaram no papel em forma de gibi.
As HQs dos alunos, como uma surpresa pra eles (mais do que merecida), serão transformadas em um gibi de verdade, com boa qualidade e ficará na ONG, numa futura Gibiteca, disponível para quem quiser ler.
Agora, é continuar a correr atrás da Lei Rouanet, de mais patrocínios, mais amigos, mais professores e buscar sempre a melhor forma de lidar com as crianças. Falando nisso, estamos conseguindo um acompanhamento psicológico com os alunos - nem sei se poderia escrever isso por aqui.
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Fagner Franco
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