3 de junho de 2009

Teatro

Não gosto de entrar aqui e ver o que já tinha visto; mas até agora não tinha me sentido a vontade pra escrever.. talvez por não estar atualizada das novas regras ortográficas, por falta de inspiração, enfim, motivos não me faltavam, mas sentia minhas mãos correrem para clicar em postar. Então aqui estou. Vou escrever aqui simplesmente meu relato, minha visão e opinião do que vivo na ONG, sem colocar essas palavras como responsabilidade de mais ninguém.

Acho que primeiro preciso explicar algumas coisas, pra ninguém se perder no meio do caminho. Eu sou a Pam, a mesma da exposição da ONG no Shopping Campo Limpo. Confesso que não tenho um contato frequente com as crianças, mas sei exatamente como andam as coisas. Apareço lá para fotografá-las, pra ajudar em algumas atividades, mas esse não é o meu trabalho. Na Oficina de Cinema sou responsável por organizar os bastidores das coisas, procurar eventos, criar formas de apresentar nosso trabalho pro mundo de uma forma graficamente mais bonita (mas estou apenas começando com isso! muita calma que tem muita mudança pela frente!). E invento moda de vez em quando!

Mas enfim, vamos ao que interessa.
Desde o dia 29 de março, a atriz Karina Barum contatada pela Teti (voluntária mais que fofa) está gentilmente ministrando todos os domingos, das 10 as 12h aulas de teatro pra criançada da OC. Apareci por lá por apenas um dia, mas pelos comentários dos voluntários Fabi e Carioca, temos alcançado alguns resultados muito bons (e também algumas pérolas das crianças que jamais esqueceremos). É legal chegar por lá e ver as crianças todas compenetradas, por vezes interpretando, por vezes cantando... (e tem sido nesse que estamos presenciando as revelações!)  Abaixo, vc pode acompanhar alguns momentos:


Hora de cantar


Interpretando

Lendo poemas

Aquecimento

Alguns participantes das aulas

A Karina também conseguiu com a maior boa vontade do universo, para que os participantes das aulas de teatro fossem assistir a peça Cinderella, em cartaz no Teatro União Cultural neste domingo que passou (dia 31). Ao final da peça, elas puderam conversar com os diretores e atores da peça, e pelas fotos também abaixo puderam se divertir horrores!

Com a Cinderella

Com uma das irmãs malvadas

Com a Fada Madrinha

Com o Príncipe

Créditos de fotografia: Daniella Sampaio, Pamella Hein (voluntárias da OC)

E como o post já ficou enorme, paro por aqui. Tem muito mais coisas boas pra falar, mas nada como outro post pra dar uma movimentada, pra não misturar os assuntos... =P
Inté! 

22 de maio de 2009

Sobre Voluntariado (ou Procura-se Voluntários)

Há alguns anos, eu era bem avesso às ONGs e afins. Essa afirmação pode até surpreender algumas pessoas que me conhecem, porque me vêem, hoje, envolvido em dois projetos sociais, sendo um de forma ainda distante.

Sempre senti uma pontada no coração ao ver algum pedinte na rua, principalmente quando é criança. Ouço ainda hoje os gritos de algumas delas pedindo dinheiro na BR 101, quando me mudava para a Bahia, em 93. "Dá um dinheiro aí", elas gritavam. A vegetação e o clima ajudavam a cena, e trouxeram um tipo de trauma até pouco tempo atrás. Eu tinha oito anos. Acho que todo mundo já passou por essa fase de compaixão. Algumas continuam nela, outros crescem e começam a fazer alguma coisa e outros regridem, chegando ao nível de tocar sua vida sem muito se importar. Mas a ideia de uma organização “terceirizando” a ajuda ao próximo - algumas funcionam dessa maneira -, tirando, assim, a tão importante "mão na massa", não me atraía e acabei desperdiçando algumas oportunidades.

Outro ponto é que essas ONGs são, em sua maioria e quase por definição, baseada em trabalho voluntário. Falando de Vida Nova, acrescenta-se, aí, a cidade: São Paulo. Um trânsito que te “rouba” umas duas horas por dia (chutando baixo), faculdade, trabalho, TFG, família e, claro, lazer - cinema, barzinho, descanso, namoro, igreja, CQC etc. E é disso, o voluntariado, que quero falar. E já peço desculpas pela introdução que saiu maior que o imaginado. Aproveito o momento pra dizer que este post é de responsabilidade minha, falo por mim, não por outros voluntários ou, muito menos, pela ONG.

Não quero reprisar como essa Oficina caiu em nossas mãos (isso, você encontra, respectivamente, aqui e aqui). O que importa é que, nos primórdios, tínhamos algo próximo de 35 voluntários. 35 pessoas para 25 alunos. Mais de uma pessoa (uma normal e uma anã) per capta. Era um grupo formado por universitários, estagiando ou só estudando, e alguns formados, já trabalhando. Fazíamos reuniões na ONG, na igreja, nas salas da universidade, pensando no que faríamos no próximo sábado. Sem muita organização – tempos depois, perceberíamos que deveria haver departamentos, mas isso é outro assunto. O que eu não sabia era que alguns estavam ali com outro objetivo, que não aquele de ajudar aquelas crianças e suas famílias. Triste. Isso se fez perceber quando em poucos meses, o número havia caído muito, ficando próximo de 1/3 do inicial.

Quem sou eu pra julgar, o que realmente aconteceu. Tenho algumas opiniões, é verdade, não quero nem começar a citá-las. Havia outras oficinas (música, lúdica, artes, das mães etc), então, não era algum descontentamento com a nossa, porque se isso fosse, poderiam se mudar para outra – sinto que já estou começando a julgar –, se tivessem entendido o verdadeiro sentido de estar ali. Curiosamente, o grupo era formado por “recém-universitários”, divididos quase milimetricamente em masculinos e femininos. Não é difícil imaginar o motivo que os movia. Notando que o grupo diminuiu, algumas pessoas e eu saímos à procura de alguns destes, sugerindo a estes a divisão do grupo para não só “desmuvucar” a sala, mas também para deixar alguns finais de semana livre para alguns, usando do bom e velho revezamento. Note que esse tratamento geralmente vem de quem precisa de um favor, o que não era o caso, mas obtínhamos respostas como se fosse. Não adiantou. A moda chegara ao fim.

Seria injustiça da minha parte não lembrar que nesse ínterim um grupo pequeno, especialmente um casal, chegava para ajudar a oficina. E ajudou muito, até uns meses atrás – quando outro projeto social o atraiu. E, ao fim do ano passado, quando pensávamos ter um número grande, e com a intenção de envolver a todos diretamente na coordenação – vale lembrar que esta era com base na disponibilidade e vontade de quem quisesse ajudar firmemente, nunca uma preferência por chegada, altura, idade, cor, tom de voz, time de futebol preferido, era natural. Acabou não dando certo, quando o ano começou, pois tivemos mais perdas.

Não vou colocar o número de pessoas que temos “na ativa”, pra não correr o risco, novamente, da injustiça. O importante é:

ESTAMOS PRECISANDO DE VOLUNTÁRIOS.

E, abrindo o coração, isto é urgente e, se não resolvido, o resultado vai ser o pior. Conversando com outro amigo da oficina, ontem, notamos que não pensamos, também por erro nosso, num tipo de, por falta de palavra melhor, herança, aquele “passar a bola”. Até já foi levantada a discussão em algum momento, mas nunca com a devida atenção. Afinal, em algum momento, a vida nos levará a outro lugar. Sem falar em algum projeto que julgaremos ser mais importante, ideal ou visualmente, em algum momento da nossa vida, estudos ou qualquer outro tipo de limitação que provirá da nossa não onipresença.

Não quero voluntários de moda – volto, aqui, pra primeira pessoa do singular, pra assumir o risco de qualquer má interpretação e ciente de que não sou ninguém pra “querer” alguma coisa, sou apenas um ajudante, mas que sabe o quão alguém “em cima do muro” atrapalha. Precisamos, ali, de pessoas que entendam a importância do projeto, a importância nossa praquelas crianças, praquelas famílias, que vejam a real possibilidade, se empenhados estivermos, de fazer uma grande diferença na vida daquelas pessoas. É lamentável que tanta gente passou por ali e não notou essa importância ou “colocava a camisa da ONG” para usar de perfume.

Não é tão difícil, mas não é fácil. Exige uma parte do seu tempo, exige vontade, noção da responsabilidade. É coração, mas também razão (soou piegas, mas é isso).  Vai diminuir o sono da tarde de sábado ou o da manhã de domingo, uma parte da semana, um abraço a menos da filha, um passeio a menos com a namorada. Vai se desanimar de vez em quando. E poderia escrever mais um parágrafo com esses pequenos sacrifícios. Não acho que seja necessário apontar, aqui, os pontos positivos. Talvez seja melhor que venha sem expectativa, se entregue sem esperar nada. O resultado disto, como um efeito dominó, você nunca verá, só sentirá. 

Lidamos com vida, com cidadania, com valores, com a busca da vida eterna (o não cristão, agora, deve se assustar). Falando nisso, não quero que entenda, você que ainda está lendo, que prego aqui um contrato vitalício com a ONG. Quase plagiando um pensador, que seja de todo o coração, enquanto estiver lá.

Deturpada, exagerada ou não, essa é a ideia do Fagner, eu, sobre o voluntariado. Até a vida me mostrar outro projeto "maior" ou, por outros motivos, deixar a ONG (tem que ser algo muito bom), continuarei tropeçando, errando e tentando acertar com isso que chamo de trabalho mais gratificante do mundo

Atualização: E você, voluntário ou não, o que pensa do voluntariado?

9 de abril de 2009

O valor da verdade

A intenção era passar alguma certeza, algum fundamento sobre o qual os adolescentes da Oficina de Cinema pudessem passar a construir suas trajetórias: a verdade!
Afinal, o que é a verdade, o que é “a coisa certa a se fazer” em determinadas situações? Ética. Em que consiste?

Um homem rico passando pela rua deixa cair uma nota de vinte reais no chão. Uma pessoa necessitada observa a nota caindo e, sabendo que é exatamente a quantia que necessita para completar o valor do aluguel da casa onde mora com sua família, entra em um dilema. A cena congela e os adolescentes da Oficina de Cinema estão encarregados de determinar a continuidade da situação apresentada.

A discussão começa acalorada e convictamente a maior parte da sala defende que o certo a fazer é pegar o dinheiro e garantir naquele mês a moradia para sua família, afinal “esse dinheiro não fará falta para aquele homem que era rico”. Outra parte da classe, uma minoria, era a favor da devolução do dinheiro, pois poderia ser que por um bom ato houvesse uma recompensa.

Argumentos e contra-argumentos acalorados pautaram a discussão, e os voluntários se encarregavam de manter a ordem e instigar a reflexão daqueles indivíduos que talvez pela primeira vez paravam para analisar friamente uma situação como aquela.

Após a exposição dos motivos de cada um para a defesa de seu ponto de vista, os voluntários Franco e Samuel levaram os adolescentes a uma profunda reflexão. Apontaram o perigo do pensamento: “O homem rico não sentirá falta” e também do raciocínio “Farei o certo, pois receberei uma recompensa”. “O homem rico não sentir falta” pode ser o princípio de pensamentos criminosos que, com o perdão de algum exagero, podem justificar até um assalto. Quanto ao “...receberei uma recompensa” nem precisamos mencionar a frustração que tal pensamento pode trazer, afinal, e se essa recompensa nunca vier?

Sem respostas para essas questões e vendo que muitas vezes a racionalidade não possui respostas para tudo, os adolescentes, que neste momento faziam um silêncio sepulcral, foram levados a meditar nas verdades apresentadas pela Bíblia: a ética cristã, da qual são adeptos os voluntários do Projeto.
A dignidade do dinheiro recebido pelo próprio trabalho, a obrigação de cada indivíduo ter para si apenas o que é seu por direito, independentemente das conseqüências, foram ali quase “simploriamente” demonstrados por meio dos relatos constantes dos evangelhos (“Dê a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”).

O dia de amanhã pertence a Deus. Ele é quem promete guardar seus filhos quanto ao que comer e ao que vestir. Quanto a nós, no dia de hoje, cabe fazer a coisa certa. Esse foi o valor absorvido pelos adolescentes naquele sábado, o qual pode dar um rumo totalmente diferente às suas vidas. Para isso temos lutado.

8 de abril de 2009

Sobre Teatro, Ânimo e Primeiros Dias do Ano na OC

Em semana de feriado, achei interessante atualizar o blog da oficina, que anda meio empoeirado. E não é por falta de assunto - nossos primeiros dias do ano ali na ONG foram especiais e marcados por pontos positivos em sua (quase) totalidade. O grande problema, como sempre, é o tempo - uma das falhas do voluntariado -, por isso peço perdão, em nome dos voluntários que escrevem aqui, pelo sumiço.

Desculpas dadas, vamos aos fatos.

No primeiro dia, o já distante 7 de março, a aula contou com uma presença muito especial. Jornalista da Rede Record de Televisão em NY - na parte de correspondência internacional -, e amigo da voluntária Fabiana Vaz, Guy Jr. estava de férias em São Paulo e aproveitou para visitar e, de tabela, dar a primeira aula do ano. Sorte nossa e daqueles alunos, pudemos ouvir belas experiências e entender a importância da verdade ou, num termo mais jornalístico, de checar a informação. Curiosamente, este assunto estava em nossa lista de "temas para abordar no ano de 2009", lista esta discutida uma semana antes em reunião de voluntários. Não bastasse a bela aula, o jornalista nos conta da possibilidade de, regressando em definitivo ao Brasil, participar mais diretamente da nossa ONG.

Pegamos carona com o Guy e mantivemos o assunto Verdade no sábado seguinte, dia 14. Aproveitamos um conto antigo - do gentio que, ao contar uma provável não verdade sobre alguém, recorre ao monge, que o faz esvaziar um travesseiro no topo da colina pra, em seguida, recolher pena por pena - para introduzir as consequências de se contar uma mentira (ou um fato duvidoso). Tal conto, é bom meritar, veio à nossa memória graças ao excelente filme "Dúvida", com Meryl Streep e Philip Seymour Hoffman, onde este é um padre e conta em sua paróquia, numa inspirada interpretação, o quão inalcançáveis são os reparos de uma mentira contada.

A história, na verdade, era apenas um exemplo. Demos, então, carta branca aos alunos para contar alguma fofoca que tenha prejudicado alguém. Dividimos a sala em 4 grupos, e cada um ficou com uma ferramenta - fotografia, fotografia com texto (lembrando os quadrinhos), vídeo e rádio-novela. Após um planejamento, com suporte de alguns voluntários, mãos á obra. Por falta de tempo, os grupos apresentaram seus trabalhos apenas no outro sábado, quando pudemos notar que o grupo voltara mais animado e comprometidos que o ano passado. Um sucinto vídeo de 1min30s, as fotografias, todas bem enquadradas, graças às aulas do ano passado e ao talento dessa garotada, e o improviso na rádio-novela. Tudo muito bem feito.

Meu tempo acabou por aqui. Amanhã, postamos os dias seguintes a estes dois sábados. Inclusive, contaremos sobre o "Teatro" do título.

Grande abraço.

16 de janeiro de 2009

Oficina de Cinema - Projeto Vida Nova 2009

De fato, o ano de 2009 começou há alguns dias, e é verdade que não há muito pra falar sobre a OC versão 2009 - há muito o que fazer neste início de ano, isso sim. Porém, apenas para deixar o CinemaFranco ainda "vivo", resolvi passar por aqui.

Por ora o que temos a dizer é que ao fim do ano passado, com o objetivo de otimizar a coordenação da Oficina, toda a equipe de voluntários foi dividida em departamentos. Uma coisa óbvia e que, na teoria, funciona muito bem. Aqui, com certeza, com muito comprometimento de todas as partes, funcionará também na prática.

Provavelmente, novos alunos aparecerão, como é comum nessa parte do ano, muitos mudarão de oficina (àqueles que não conhecem o projeto, as oficinas são divididas por idade), outros, infelizmente deixarão o projeto, enfim, muitos novos desafios. Portanto, boa sorte pra todo mundo.

Um excelente 2009 a todas as crianças do Vida Nova e a todos nós voluntários!!!