









Postado por
Pam
às
11:36:00 AM
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Marcadores: Cinderella, Oficina de cinema, Oficina de Teatro, Projeto Vida Nova, Teatro
Há alguns anos, eu era bem avesso às ONGs e afins. Essa afirmação pode até surpreender algumas pessoas que me conhecem, porque me vêem, hoje, envolvido em dois projetos sociais, sendo um de forma ainda distante.
Sempre senti uma pontada no coração ao ver algum pedinte na rua, principalmente quando é criança. Ouço ainda hoje os gritos de algumas delas pedindo dinheiro na BR 101, quando me mudava para a Bahia, em 93. "Dá um dinheiro aí", elas gritavam. A vegetação e o clima ajudavam a cena, e trouxeram um tipo de trauma até pouco tempo atrás. Eu tinha oito anos. Acho que todo mundo já passou por essa fase de compaixão. Algumas continuam nela, outros crescem e começam a fazer alguma coisa e outros regridem, chegando ao nível de tocar sua vida sem muito se importar. Mas a ideia de uma organização “terceirizando” a ajuda ao próximo - algumas funcionam dessa maneira -, tirando, assim, a tão importante "mão na massa", não me atraía e acabei desperdiçando algumas oportunidades.
Outro ponto é que essas ONGs são, em sua maioria e quase por definição, baseada em trabalho voluntário. Falando de Vida Nova, acrescenta-se, aí, a cidade: São Paulo. Um trânsito que te “rouba” umas duas horas por dia (chutando baixo), faculdade, trabalho, TFG, família e, claro, lazer - cinema, barzinho, descanso, namoro, igreja, CQC etc. E é disso, o voluntariado, que quero falar. E já peço desculpas pela introdução que saiu maior que o imaginado. Aproveito o momento pra dizer que este post é de responsabilidade minha, falo por mim, não por outros voluntários ou, muito menos, pela ONG.
Não quero reprisar como essa Oficina caiu em nossas mãos (isso, você encontra, respectivamente, aqui e aqui). O que importa é que, nos primórdios, tínhamos algo próximo de 35 voluntários. 35 pessoas para 25 alunos. Mais de uma pessoa (uma normal e uma anã) per capta. Era um grupo formado por universitários, estagiando ou só estudando, e alguns formados, já trabalhando. Fazíamos reuniões na ONG, na igreja, nas salas da universidade, pensando no que faríamos no próximo sábado. Sem muita organização – tempos depois, perceberíamos que deveria haver departamentos, mas isso é outro assunto. O que eu não sabia era que alguns estavam ali com outro objetivo, que não aquele de ajudar aquelas crianças e suas famílias. Triste. Isso se fez perceber quando em poucos meses, o número havia caído muito, ficando próximo de 1/3 do inicial.
Quem sou eu pra julgar, o que realmente aconteceu. Tenho algumas opiniões, é verdade, não quero nem começar a citá-las. Havia outras oficinas (música, lúdica, artes, das mães etc), então, não era algum descontentamento com a nossa, porque se isso fosse, poderiam se mudar para outra – sinto que já estou começando a julgar –, se tivessem entendido o verdadeiro sentido de estar ali. Curiosamente, o grupo era formado por “recém-universitários”, divididos quase milimetricamente em masculinos e femininos. Não é difícil imaginar o motivo que os movia. Notando que o grupo diminuiu, algumas pessoas e eu saímos à procura de alguns destes, sugerindo a estes a divisão do grupo para não só “desmuvucar” a sala, mas também para deixar alguns finais de semana livre para alguns, usando do bom e velho revezamento. Note que esse tratamento geralmente vem de quem precisa de um favor, o que não era o caso, mas obtínhamos respostas como se fosse. Não adiantou. A moda chegara ao fim.
Seria injustiça da minha parte não lembrar que nesse ínterim um grupo pequeno, especialmente um casal, chegava para ajudar a oficina. E ajudou muito, até uns meses atrás – quando outro projeto social o atraiu. E, ao fim do ano passado, quando pensávamos ter um número grande, e com a intenção de envolver a todos diretamente na coordenação – vale lembrar que esta era com base na disponibilidade e vontade de quem quisesse ajudar firmemente, nunca uma preferência por chegada, altura, idade, cor, tom de voz, time de futebol preferido, era natural. Acabou não dando certo, quando o ano começou, pois tivemos mais perdas.
Não vou colocar o número de pessoas que temos “na ativa”, pra não correr o risco, novamente, da injustiça. O importante é:
ESTAMOS PRECISANDO DE VOLUNTÁRIOS.
E, abrindo o coração, isto é urgente e, se não resolvido, o resultado vai ser o pior. Conversando com outro amigo da oficina, ontem, notamos que não pensamos, também por erro nosso, num tipo de, por falta de palavra melhor, herança, aquele “passar a bola”. Até já foi levantada a discussão em algum momento, mas nunca com a devida atenção. Afinal, em algum momento, a vida nos levará a outro lugar. Sem falar em algum projeto que julgaremos ser mais importante, ideal ou visualmente, em algum momento da nossa vida, estudos ou qualquer outro tipo de limitação que provirá da nossa não onipresença.
Lidamos com vida, com cidadania, com valores, com a busca da vida eterna (o não cristão, agora, deve se assustar). Falando nisso, não quero que entenda, você que ainda está lendo, que prego aqui um contrato vitalício com a ONG. Quase plagiando um pensador, que seja de todo o coração, enquanto estiver lá.
Deturpada, exagerada ou não, essa é a ideia do Fagner, eu, sobre o voluntariado. Até a vida me mostrar outro projeto "maior" ou, por outros motivos, deixar a ONG (tem que ser algo muito bom), continuarei tropeçando, errando e tentando acertar com isso que chamo de trabalho mais gratificante do mundo
Atualização: E você, voluntário ou não, o que pensa do voluntariado?
Postado por
Fagner Franco
às
11:46:00 AM
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Mauro Catanzaro
às
6:29:00 PM
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Em semana de feriado, achei interessante atualizar o blog da oficina, que anda meio empoeirado. E não é por falta de assunto - nossos primeiros dias do ano ali na ONG foram especiais e marcados por pontos positivos em sua (quase) totalidade. O grande problema, como sempre, é o tempo - uma das falhas do voluntariado -, por isso peço perdão, em nome dos voluntários que escrevem aqui, pelo sumiço.
Desculpas dadas, vamos aos fatos.
No primeiro dia, o já distante 7 de março, a aula contou com uma presença muito especial. Jornalista da Rede Record de Televisão em NY - na parte de correspondência internacional -, e amigo da voluntária Fabiana Vaz, Guy Jr. estava de férias em São Paulo e aproveitou para visitar e, de tabela, dar a primeira aula do ano. Sorte nossa e daqueles alunos, pudemos ouvir belas experiências e entender a importância da verdade ou, num termo mais jornalístico, de checar a informação. Curiosamente, este assunto estava em nossa lista de "temas para abordar no ano de 2009", lista esta discutida uma semana antes em reunião de voluntários. Não bastasse a bela aula, o jornalista nos conta da possibilidade de, regressando em definitivo ao Brasil, participar mais diretamente da nossa ONG.
Pegamos carona com o Guy e mantivemos o assunto Verdade no sábado seguinte, dia 14. Aproveitamos um conto antigo - do gentio que, ao contar uma provável não verdade sobre alguém, recorre ao monge, que o faz esvaziar um travesseiro no topo da colina pra, em seguida, recolher pena por pena - para introduzir as consequências de se contar uma mentira (ou um fato duvidoso). Tal conto, é bom meritar, veio à nossa memória graças ao excelente filme "Dúvida", com Meryl Streep e Philip Seymour Hoffman, onde este é um padre e conta em sua paróquia, numa inspirada interpretação, o quão inalcançáveis são os reparos de uma mentira contada.
A história, na verdade, era apenas um exemplo. Demos, então, carta branca aos alunos para contar alguma fofoca que tenha prejudicado alguém. Dividimos a sala em 4 grupos, e cada um ficou com uma ferramenta - fotografia, fotografia com texto (lembrando os quadrinhos), vídeo e rádio-novela. Após um planejamento, com suporte de alguns voluntários, mãos á obra. Por falta de tempo, os grupos apresentaram seus trabalhos apenas no outro sábado, quando pudemos notar que o grupo voltara mais animado e comprometidos que o ano passado. Um sucinto vídeo de 1min30s, as fotografias, todas bem enquadradas, graças às aulas do ano passado e ao talento dessa garotada, e o improviso na rádio-novela. Tudo muito bem feito.
Meu tempo acabou por aqui. Amanhã, postamos os dias seguintes a estes dois sábados. Inclusive, contaremos sobre o "Teatro" do título.
Grande abraço.
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Fagner Franco
às
5:37:00 PM
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De fato, o ano de 2009 começou há alguns dias, e é verdade que não há muito pra falar sobre a OC versão 2009 - há muito o que fazer neste início de ano, isso sim. Porém, apenas para deixar o CinemaFranco ainda "vivo", resolvi passar por aqui.
Por ora o que temos a dizer é que ao fim do ano passado, com o objetivo de otimizar a coordenação da Oficina, toda a equipe de voluntários foi dividida em departamentos. Uma coisa óbvia e que, na teoria, funciona muito bem. Aqui, com certeza, com muito comprometimento de todas as partes, funcionará também na prática.
Provavelmente, novos alunos aparecerão, como é comum nessa parte do ano, muitos mudarão de oficina (àqueles que não conhecem o projeto, as oficinas são divididas por idade), outros, infelizmente deixarão o projeto, enfim, muitos novos desafios. Portanto, boa sorte pra todo mundo.
Um excelente 2009 a todas as crianças do Vida Nova e a todos nós voluntários!!!
Postado por
Fagner Franco
às
12:17:00 PM
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