23 de junho de 2008

Crianças no Cinema!

No sábado, foi-me informado que levaríamos as crianças mais "firmezas" da aula de teatro para assistir um filme e comer no McDonald's no domingo à tarde. Decidimos premiar os alunos da Oficina de Cinema que ao longo do semestre frequentaram as aulas complementares com seriedade, participação ativa e sem faltas. Jéssica, Franciele, duas Sabrinas e, para surpresa de todos, Ramiro foram os selecionados para o passeio no shopping.

A tarde de domingo era fria, cinzenta e os termômetros marcavam 14ºC. Para as crianças da oficina, entretanto, mais parecia uma tarde de sol. Às 14h em ponto lá estavam todos em frente à sede Projeto Vida Nova, produzidos e ansiosos. "Achei que vocês tinham esquecido da gente" diz Sabrina, 14, reclamando do meu atraso de 5 minutos.

Mauro e Fagner chegaram logo em seguida e, assim que decidimos que as meninas iriam em um carro e os meninos em outro, partimos em direção ao Shopping Market Place. A princípio senti-me um pouco receosa, insegura, temendo a falta de intimidade ou de interesse das meninas. No entanto, menos de 5 minutos depois, quando ainda nos encontrávamos na Estrada de Itapecerica, percebi que já estávamos conversando sobre nossa vida, nossos sonhos, frustrações, vontades e expectativas.

É interessante perceber como um mínimo de convivência, um pouco de conversa e algumas risadas abrem portas para vidas que antes pareciam inatingíveis. Durante o percurso até o shopping, as meninas me contaram sobre suas famílias, namorados, o que pensam do local onde vivem e o que querem pro futuro.

A chegada no shopping, o McDonalds, o filme (Incrível Hulk, por sinal bastante interessante) se transformaram em momentos tão divertidos que parecia, de fato, um passeio rotineiro com amigos meus. Esses aspectos, entretanto, foram ofuscados pelo sentimento prazeroso de desenvolver um relacionamento verdadeiro e de amizade com aqueles alunos. Este, desde o começo da oficina, foi nosso maior desejo e ver que a cada sábado estamos, pouco a pouco, fazendo parte da vida deles tem sido uma experiência bastante significativa.

Ainda há muito que conquistar e muitos para serem conquistados, porém, com a ajuda de Deus e esforços dos voluntários, estamos conseguindo fazer parte da vida desses jovens com realidades tão diferentes das nossas, para que nessa troca de experiência, possamos mudar a vida deles, assim eles mudam a nossa.

15 de junho de 2008

Festa Junina.zip


Eu havia prometido falar um pouco mais sobre a Festa Junina do Projeto Vida Nova, mas felizmente as coisas na Oficina de Cinema vêm acontecendo de forma tão surpreendente que fica difícil escolher o que devemos diariar.

Para não deixar de lado e correr o risco de cair no desmerecido esquecimento, vou resumir em sucintas palavras a Festa Junina. Visando a maior colaboração de todas as oficinas, a coordenação da ONG resolveu criar uma competição entre elas. A palavra é meio pesada, mas foi saudavelmente usada por todos os envolvidos.

O resultado, como esperado, foi excelente, fazendo do simples evento junino um grande arrecadador de recursos. Sem falar nos inúmeros contatos que fizemos durante o fim de semana. A nossa oficina saiu como vencedora, graças ao trabalho dos voluntários, mas como tudo é revertido para a ONG, seja no geral seja na oficina especificamente, é justo dizer que todos saímos vencedores.

Há muito ainda pra contar sobre o evento, por isso deixo aqui aberto para francos e demais voluntários contarem (por post ou por comentário) mais detalhes e momentos desse memorável fim de semana.

9 de junho de 2008

Fotografia chegando e um pedido de desculpas

Peço perdão aos quase 5 leitores deste blog pela falta de atualização do mesmo. Realmente, não ando tendo muito tempo e o que me sobra, gasto no cinema, lendo gibi ou algum livro dos que comecei ("Manual do Roteiro", de Syd Field, "Story", de Robert McKee, e "Ensaio Sobre a Cegueira", Saramago).

Acredito que os outros francos colaboradores andam ocupados com as mesmas coisas (estudos, Oficina de Cinema e trabalho), então pelo desculpa por eles também.

A Oficina de Cinema anda muito bem, obrigado. Enfim, a aula de fotografia dada pela galera da Mnemocine está com a data marcada para o dia 29 de junho. Sem falta, sem chorumelas. O dinheiro chegará até lá (we really hope so!).

Alguns feriados e festas da ONG, como a junina do último final de semana, "atrapalharam" o ritmo da criançada, mas recuperaremos antes das aulas de fotografia, nosso maior momento desde o começo da Oficina.

Posteriormente, deveremos escrever sobre a citada festa junina. Os dois dias renderam, e ainda há de render, muitas boas histórias.

Ah, "Ensinando a Viver", com John Cusack, que está ainda em cartaz, é bem fofo. Nada novo, mas bem fofo, graças, claro, ao Cusack e ao pentelho "vindo de marte".

Uma boa semana a todos!

20 de maio de 2008

Sobre Sexo Seguro e Improvisos

Discutido de diversas maneiras há décadas - com mais ênfase, a partir dos anos 90 - o sexo sem proteção ainda é um problema no Brasil e no mundo. Mesmo sendo um dos mais "batidos" temas a se tratar com os jovens e adolescentes, é absurdo o número de casos de gravidez, aborto e DST entre estas faixas. Isso é ainda mais freqüente entre os adolescentes das periferias das cidades pelo país.

Pensando no provável emergente problema entre nossos alunos, já que o grupo é formado por adolescentes de 11 a 16 anos - faixa perigosa - resolvemos, de última hora, mudar os planos e discutir o tema na Oficina de Cinema. A decisão foi tomada numa reunião na quarta, dia 14 de maio, realizada no antigo prédio da Faculdade de Enfermagem da UNASP.

Há alguns dias, em uma visita ao Instituto Criar (patrocinada pelo Luciano Huck), localizada na Barra Funda, zona Oeste de São Paulo, Thais Guin e Mauro Catanzaro falaram com Fernanda Vidigal, coordenadora pedagógica do projeto. Como estamos no início, toda e qualquer dica vindas de pessoas experientes é mais do que bem vinda. Entre muitos outros assuntos importantes tocados naquela visita, um em destaque foi o uso da PROPAGANDA como meio de entender princípios de Roteiro, além de noção de direção, direção de arte e outros detalhes do vídeo. Pensando nisso e misturando o útil ao necessário, Mauro e Thais levantaram a discussão de usar uma campanha sobre sexo seguro, como aquelas que a TV apresenta em época de carnaval.

Com o apoio dos presentes, entre voluntários e coordenação da Oficina, começamos a pensar na realização daquela idéia. Coincidentemente, alguns amigos haviam feito como trabalho de faculdade uma peça sobre o assunto Sexo. Depois de algumas tentativas de contato com os realizadores da tal peça e problemas de agenda com o grupo, acabamos apelando para improvisação. Usando alguns que participaram da apresentação e outros que tinham apenas assistido, Priscila, nova voluntária no projeto, com a ajuda de outros antigos voluntários correram atrás da nova versão da peça.

Essa era a parte divertida do sábado. Faltava, portanto, a parte séria, a parte “chata” da coisa. Pensamos no óbvio, a boa e velha palestra. Aproveitando estar em uma universidade que tem um curso na área da saúde, procuramos entre professores alguém disponível para a tarefa de mostrar com seriedade o tema. Infelizmente, o tempo era curto (três dias) e não conseguimos ninguém que estivesse disponível para sábado, dia 18.

Num exercício de improviso - ausência de atores da peça e “quase-formadas” fazendo a parte da palestra - a coisa aconteceu (no mínimo, quase) como gostaríamos. Como é regra em todas as atividades de sábado começar com a meditação, dessa vez não foi diferente. Começamos com uma história contada pela Marina Catanzaro, seguida de uma oração, feita pelo que vos escreve, e uma introdução da atividade do dia, apresentada pela Thais.

As performances de Mauro, Tinho, Flavinha e Priscila, interpretando, respectivamente, uma prevenida garota tímida, outra mais saidinha, um “pegador” e o amigo conselheiro, foram hilárias e arrancaram gargalhadas dos visitantes, alunos e voluntários. Com destaque para a frase “esse cabelo não sai da minha boca”, improvisada pelo Mauro e a interpretação caricata de uma "quase-prostituta" de Tinho. Mostraram a história de um inconseqüente e promíscuo garoto que se vê em confusão ao engravidar uma de suas parceiras.

As alunas Luciara e Nancy do último semestre de Enfermagem da UNASP gentilmente se dispuseram a apresentar os perigos do sexo sem proteção. Mostraram as principais doenças sexualmente transmitidas, este com fortes ilustrações, uma apresentação multimídia e até uma polêmica mini-aula sobre como colocar a camisinha, usando uma banana. As alunas aproveitaram para abrir um espaço para perguntas e, com a ajuda da Thais, finalizaram o programa aconselhando sobre a melhor das prevenções contra DSTs, abortos e gravidez não programada: o sexo somente após o casamento.

Ao fim do dia, explicamos como seriam as próximas atividades na Oficina. Alguns vídeos de propaganda da TV, baixados da Internet e alguns exemplos de campanha a favor do sexo seguro foram apresentados pela Thais. O desafio estava lançado. Os quatro grupos apresentarão, até o fim do semestre, uma campanha completa, com direito a propaganda em vídeo, onde, seguindo os conselhos de Fernanda Vidigal, aprenderão os princípios básicos de roteiro e direção.

O nosso agradecimento às professoras Luciara e Nancy, aos atores Tinho, Flavinha e Priscila, à importante visita do Endomarketing da Sonae Sierra Brasil, nas pessoas da Lídia e Arlete e a TODOS os voluntários e visitantes presentes que ajudaram - em especial a minha linda mãe, visitando o projeto pela primeira vez. Incluo na lista de agradecimentos todos os membros da coordenação que vêm desde o começo do semestre passado se virando como podem, entre reuniões e discussões, disponibilizando tempo (inclusive madrugadas em pleno fim de semana), paciência e dinheiro do próprio bolso para este projeto.

28 de abril de 2008

12 de abril, primeira aula de Teatro

Depois de algumas semanas sem postar aqui no blog (cabe aqui um "desculpa!"), vou relembrar, para respeitar a intenção do “diário” da OC, um dos dias mais empolgantes para as crianças da Oficina: a primeira aula de TEATRO.

(A correria para postar é porque ainda estarmos correndo atrás de patrocínios e boa parte do nosso tempo de sobra está sendo designada para isso. Voltando...)

Claro que já tivemos aulas amadoras de teatro. Inclusive, vale lembrar que apresentamos na Sede uma peça para os voluntários, no semestre passado. Mas dessa vez foi diferente. Professor de Teatro no CEU Campo Limpo, Ricardo (estudante da USP) soube prender a atenção da criançada com sua informalidade e naturalidade com o assunto que mais chama a atenção das crianças. Mostrou total domínio do assunto e fez alguns ali que nunca tinham se soltado, perder um pouco da vergonha de falar em público. Aproveitou também para realizar algumas dinâmicas de integração.









Na verdade, o dia (há quase três semanas) era apenas uma amostra grátis para as aulas que teríamos durante a semana. Agora, com horário fixo (quinta à tarde), os alunos ainda não estão comparecendo em sua maioria, por motivos diversos. Alguns são babás de outras crianças, outros dos próprios irmão, alguns trabalham e outros ainda não estão no clima. Ainda faltando, portanto, aquele problema de comprometimento. Mas já estamos tomando as devidas providências e acreditamos que uma integração dos voluntários com as famílias das crianças fará uma importante diferença.

















É um grande passo para a OC por ser algo mais específico e mais prático, mais palpável e de resultado quase instantâneo. Estamos ainda aguardando por recursos para financiar essa etapa final do semestre, que termina ao fim de junho. Pegando, provavelmente, um pouquinho de julho.