28 de junho de 2008

28 de junho, o primeiro Roteiro e uma participação especial

Diferente do publicado aqui há algumas semanas, quando dissemos que faríamos uma campanha publicitária com direito à propaganda em vídeo, resolvemos, por problemas de logística e de cronograma, voltar para a idéia inicial: o curta-metragem. Não é preciso ser Fernando Meirelles para perceber que terminar o semestre numa Oficina de Cinema com algo “palpável” como um curta seria uma coisa boa para alunos, apresentando um resultado à curto prazo dos seus esforços na tela, para nós voluntários e, claro, para atuais/futuros patrocínios, mostrando o que a oficina fez até agora.

Escolhemos o penúltimo sábado de junho para o início da tarefa. Apesar das necessárias mudanças, o tema da campanha seria mantido. Como eu não tinha em mente um local fácil para alugar um curta, que serviria como exemplo, apelei para a Pixar. Assistimos apenas a dois curtas animados, “For the Birds” e “Knick Knack”, presentes nos DVDs de “Monstros S.A.” e “Procurando Nemo”, respectivamente.

Olhando por um lado, não foram realmente bons exemplos, afinal não tem diálogo algum e, óbvio, são animados. Claramente, isso não é necessariamente um problema. Já que, em contra partida, eles serviram para mostrar duas coisas importantes: características de personagens, com a ajuda dos sempre muito expressivos seres animados da Pixar, e o simplificador fato do curta ser apenas um longa curto (sic). Vale lembrar que os tópicos Personagem e História foram trabalhados durante todo o semestre, portanto, funcionando quase como uma prova de fim de semestre, precisávamos “aplicar” tal avaliação.

Passadas as animações, fomos para a prática. Dividimos a oficina em dois grupos e cada uma criou o esqueleto da história. A forma de quatro equipes usada durante o semestre teve de ser revista, já que as tarefas agora seriam muito especificamente divididas e sete pessoas por equipe poderiam não ser suficientes.

No último sábado (28), retomamos a atividade. O objetivo, agora, era detalhar e caracterizar ao máximo a história criada por eles, deixando ela pronta para o momento da filmagem. Era o primeiro passo na roteirização de uma história. Com a sala ainda dividida em duas equipes, usamos a primeira página do roteiro de “Cidade de Deus”, de Bráulio Mantovani, como exemplo. Daí, então, todos os alunos construíram juntos os primeiros roteiros da oficina.

Mas em um dos grupos, uma interessante surpresa chamava a atenção dos alunos da oficina: Karina Barum. A atriz que graciosamente atendeu nosso convite, não só compareceu, como participou da atividade do dia, colaborando com sua experiência no teatro, cinema e TV. Experiência esta contada ao fim do dia, com Karina falando um pouco mais sobre seu trabalho e sobre sua realista visão de sucesso.

A atriz não estava só, trouxe sua fofíssima filha que encantou o Projeto Vida Nova inteiro. Outras duas, não menos importantes, visitas estiveram lá: Silvinha, amiga da Fabiana Vaz e futura voluntária, e Aninha (quantos “inhas”) que veio com o grande Samuel. O nosso muitíssimo obrigado a todas vocês e, de coração, voltem sempre.

É inegável o surgimento de um saudável orgulho em nós voluntários. Cada detalhe, cada linha de história, cada nome de personagem, uma simples participação, tudo isso é motivo desse bem vindo sentimento. Difícil passar com simples palavras tantos momentos, desde os tensos aos de verdadeira alegria, passados ali. Quem diria a um ano atrás, quando munidos de apenas boa vontade, que chegaríamos tão longe. E olha que a Fotografia ainda nem começou...

23 de junho de 2008

Crianças no Cinema!

No sábado, foi-me informado que levaríamos as crianças mais "firmezas" da aula de teatro para assistir um filme e comer no McDonald's no domingo à tarde. Decidimos premiar os alunos da Oficina de Cinema que ao longo do semestre frequentaram as aulas complementares com seriedade, participação ativa e sem faltas. Jéssica, Franciele, duas Sabrinas e, para surpresa de todos, Ramiro foram os selecionados para o passeio no shopping.

A tarde de domingo era fria, cinzenta e os termômetros marcavam 14ºC. Para as crianças da oficina, entretanto, mais parecia uma tarde de sol. Às 14h em ponto lá estavam todos em frente à sede Projeto Vida Nova, produzidos e ansiosos. "Achei que vocês tinham esquecido da gente" diz Sabrina, 14, reclamando do meu atraso de 5 minutos.

Mauro e Fagner chegaram logo em seguida e, assim que decidimos que as meninas iriam em um carro e os meninos em outro, partimos em direção ao Shopping Market Place. A princípio senti-me um pouco receosa, insegura, temendo a falta de intimidade ou de interesse das meninas. No entanto, menos de 5 minutos depois, quando ainda nos encontrávamos na Estrada de Itapecerica, percebi que já estávamos conversando sobre nossa vida, nossos sonhos, frustrações, vontades e expectativas.

É interessante perceber como um mínimo de convivência, um pouco de conversa e algumas risadas abrem portas para vidas que antes pareciam inatingíveis. Durante o percurso até o shopping, as meninas me contaram sobre suas famílias, namorados, o que pensam do local onde vivem e o que querem pro futuro.

A chegada no shopping, o McDonalds, o filme (Incrível Hulk, por sinal bastante interessante) se transformaram em momentos tão divertidos que parecia, de fato, um passeio rotineiro com amigos meus. Esses aspectos, entretanto, foram ofuscados pelo sentimento prazeroso de desenvolver um relacionamento verdadeiro e de amizade com aqueles alunos. Este, desde o começo da oficina, foi nosso maior desejo e ver que a cada sábado estamos, pouco a pouco, fazendo parte da vida deles tem sido uma experiência bastante significativa.

Ainda há muito que conquistar e muitos para serem conquistados, porém, com a ajuda de Deus e esforços dos voluntários, estamos conseguindo fazer parte da vida desses jovens com realidades tão diferentes das nossas, para que nessa troca de experiência, possamos mudar a vida deles, assim eles mudam a nossa.

15 de junho de 2008

Festa Junina.zip


Eu havia prometido falar um pouco mais sobre a Festa Junina do Projeto Vida Nova, mas felizmente as coisas na Oficina de Cinema vêm acontecendo de forma tão surpreendente que fica difícil escolher o que devemos diariar.

Para não deixar de lado e correr o risco de cair no desmerecido esquecimento, vou resumir em sucintas palavras a Festa Junina. Visando a maior colaboração de todas as oficinas, a coordenação da ONG resolveu criar uma competição entre elas. A palavra é meio pesada, mas foi saudavelmente usada por todos os envolvidos.

O resultado, como esperado, foi excelente, fazendo do simples evento junino um grande arrecadador de recursos. Sem falar nos inúmeros contatos que fizemos durante o fim de semana. A nossa oficina saiu como vencedora, graças ao trabalho dos voluntários, mas como tudo é revertido para a ONG, seja no geral seja na oficina especificamente, é justo dizer que todos saímos vencedores.

Há muito ainda pra contar sobre o evento, por isso deixo aqui aberto para francos e demais voluntários contarem (por post ou por comentário) mais detalhes e momentos desse memorável fim de semana.

9 de junho de 2008

Fotografia chegando e um pedido de desculpas

Peço perdão aos quase 5 leitores deste blog pela falta de atualização do mesmo. Realmente, não ando tendo muito tempo e o que me sobra, gasto no cinema, lendo gibi ou algum livro dos que comecei ("Manual do Roteiro", de Syd Field, "Story", de Robert McKee, e "Ensaio Sobre a Cegueira", Saramago).

Acredito que os outros francos colaboradores andam ocupados com as mesmas coisas (estudos, Oficina de Cinema e trabalho), então pelo desculpa por eles também.

A Oficina de Cinema anda muito bem, obrigado. Enfim, a aula de fotografia dada pela galera da Mnemocine está com a data marcada para o dia 29 de junho. Sem falta, sem chorumelas. O dinheiro chegará até lá (we really hope so!).

Alguns feriados e festas da ONG, como a junina do último final de semana, "atrapalharam" o ritmo da criançada, mas recuperaremos antes das aulas de fotografia, nosso maior momento desde o começo da Oficina.

Posteriormente, deveremos escrever sobre a citada festa junina. Os dois dias renderam, e ainda há de render, muitas boas histórias.

Ah, "Ensinando a Viver", com John Cusack, que está ainda em cartaz, é bem fofo. Nada novo, mas bem fofo, graças, claro, ao Cusack e ao pentelho "vindo de marte".

Uma boa semana a todos!

20 de maio de 2008

Sobre Sexo Seguro e Improvisos

Discutido de diversas maneiras há décadas - com mais ênfase, a partir dos anos 90 - o sexo sem proteção ainda é um problema no Brasil e no mundo. Mesmo sendo um dos mais "batidos" temas a se tratar com os jovens e adolescentes, é absurdo o número de casos de gravidez, aborto e DST entre estas faixas. Isso é ainda mais freqüente entre os adolescentes das periferias das cidades pelo país.

Pensando no provável emergente problema entre nossos alunos, já que o grupo é formado por adolescentes de 11 a 16 anos - faixa perigosa - resolvemos, de última hora, mudar os planos e discutir o tema na Oficina de Cinema. A decisão foi tomada numa reunião na quarta, dia 14 de maio, realizada no antigo prédio da Faculdade de Enfermagem da UNASP.

Há alguns dias, em uma visita ao Instituto Criar (patrocinada pelo Luciano Huck), localizada na Barra Funda, zona Oeste de São Paulo, Thais Guin e Mauro Catanzaro falaram com Fernanda Vidigal, coordenadora pedagógica do projeto. Como estamos no início, toda e qualquer dica vindas de pessoas experientes é mais do que bem vinda. Entre muitos outros assuntos importantes tocados naquela visita, um em destaque foi o uso da PROPAGANDA como meio de entender princípios de Roteiro, além de noção de direção, direção de arte e outros detalhes do vídeo. Pensando nisso e misturando o útil ao necessário, Mauro e Thais levantaram a discussão de usar uma campanha sobre sexo seguro, como aquelas que a TV apresenta em época de carnaval.

Com o apoio dos presentes, entre voluntários e coordenação da Oficina, começamos a pensar na realização daquela idéia. Coincidentemente, alguns amigos haviam feito como trabalho de faculdade uma peça sobre o assunto Sexo. Depois de algumas tentativas de contato com os realizadores da tal peça e problemas de agenda com o grupo, acabamos apelando para improvisação. Usando alguns que participaram da apresentação e outros que tinham apenas assistido, Priscila, nova voluntária no projeto, com a ajuda de outros antigos voluntários correram atrás da nova versão da peça.

Essa era a parte divertida do sábado. Faltava, portanto, a parte séria, a parte “chata” da coisa. Pensamos no óbvio, a boa e velha palestra. Aproveitando estar em uma universidade que tem um curso na área da saúde, procuramos entre professores alguém disponível para a tarefa de mostrar com seriedade o tema. Infelizmente, o tempo era curto (três dias) e não conseguimos ninguém que estivesse disponível para sábado, dia 18.

Num exercício de improviso - ausência de atores da peça e “quase-formadas” fazendo a parte da palestra - a coisa aconteceu (no mínimo, quase) como gostaríamos. Como é regra em todas as atividades de sábado começar com a meditação, dessa vez não foi diferente. Começamos com uma história contada pela Marina Catanzaro, seguida de uma oração, feita pelo que vos escreve, e uma introdução da atividade do dia, apresentada pela Thais.

As performances de Mauro, Tinho, Flavinha e Priscila, interpretando, respectivamente, uma prevenida garota tímida, outra mais saidinha, um “pegador” e o amigo conselheiro, foram hilárias e arrancaram gargalhadas dos visitantes, alunos e voluntários. Com destaque para a frase “esse cabelo não sai da minha boca”, improvisada pelo Mauro e a interpretação caricata de uma "quase-prostituta" de Tinho. Mostraram a história de um inconseqüente e promíscuo garoto que se vê em confusão ao engravidar uma de suas parceiras.

As alunas Luciara e Nancy do último semestre de Enfermagem da UNASP gentilmente se dispuseram a apresentar os perigos do sexo sem proteção. Mostraram as principais doenças sexualmente transmitidas, este com fortes ilustrações, uma apresentação multimídia e até uma polêmica mini-aula sobre como colocar a camisinha, usando uma banana. As alunas aproveitaram para abrir um espaço para perguntas e, com a ajuda da Thais, finalizaram o programa aconselhando sobre a melhor das prevenções contra DSTs, abortos e gravidez não programada: o sexo somente após o casamento.

Ao fim do dia, explicamos como seriam as próximas atividades na Oficina. Alguns vídeos de propaganda da TV, baixados da Internet e alguns exemplos de campanha a favor do sexo seguro foram apresentados pela Thais. O desafio estava lançado. Os quatro grupos apresentarão, até o fim do semestre, uma campanha completa, com direito a propaganda em vídeo, onde, seguindo os conselhos de Fernanda Vidigal, aprenderão os princípios básicos de roteiro e direção.

O nosso agradecimento às professoras Luciara e Nancy, aos atores Tinho, Flavinha e Priscila, à importante visita do Endomarketing da Sonae Sierra Brasil, nas pessoas da Lídia e Arlete e a TODOS os voluntários e visitantes presentes que ajudaram - em especial a minha linda mãe, visitando o projeto pela primeira vez. Incluo na lista de agradecimentos todos os membros da coordenação que vêm desde o começo do semestre passado se virando como podem, entre reuniões e discussões, disponibilizando tempo (inclusive madrugadas em pleno fim de semana), paciência e dinheiro do próprio bolso para este projeto.