1 de julho de 2008

29/06 Um grande dia para OC do Projeto Vida Nova!

Enfim chegou o grande dia, um dia que para muitos não soaria como algo tão grande, por sinal, numa análise fria, poderia ser considerado até como um dia medíocre. Mas para nós, voluntários e adolescentes da Oficina de Cinema, com certeza UM GRANDE DIA!

Neste último domingo, 29/06/2008, teve início a oficina de fotografia para os adolescentes da Oficina de Cinema do projeto VIDA NOVA.

Para que você que está lendo possa entender a razão de havermos considerado o último domingo UM GRANDE DIA, vou explicar um pouquinho de nossa trajetória até chegarmos no dia 29/06.

Do meio para o fim do ano passado, o Projeto Vida Nova se viu perante um grande dilema. “Como atrair os adolescentes que se mostram cada vez mais desinteressados pelas atividades do Projeto?” Foi quando alguns dos dirigentes tiveram a idéia de chamar alguns voluntários para iniciarem uma oficina de cinema.

Sem recursos para bancar professores profissionais, os dirigentes da ONG buscaram entre seus amigos aqueles que demonstravam um interesse especial pelo cinema, ainda que por hobby, para que pudessem dirigir a oficina que iria se iniciar. Nessa busca, toparam com o Fagner, que prontamente se dispôs a formar uma equipe para estabelecer uma oficina de cinema dentro do Projeto Vida Nova.

O desafio estava lançado, e a pessoa que vos escreve ainda nem sonhava em participar do projeto, mas soube através dos relatos que a missão não foi nada fácil. A falta de comprometimento de alguns voluntários, a decepção com algumas pessoas que pareciam ser confiáveis, a falta de experiência dos voluntários comprometidos, a apatia dos adolescentes e a falta de recursos eram, certamente, dentre outros fatores, os principais adversários para que a Oficina de Cinema pudesse deslanchar.

Entre trancos e barrancos, e com aparentemente maiores derrotas do que vitórias, alguns voluntários persistiram rumo ao alvo de ver a Oficina de Cinema transformando a vida dos adolescentes do Projeto. Foi quando um desses sonhadores, Fagner, no começo do ano me chamou para fazer parte do grupo.

Fiquei muito empolgado, mas logo me intimidei na presença de adversários tão grandes. Mas incentivado por aqueles que ali estavam a mais tempo e pela vontade de ver adolescentes tão especiais tendo a oportunidade de modificar a própria realidade, eu e os demais voluntários, embora em franca desvantagem, iniciamos o combate, com fé de que, de algum modo, no meio da luta, receberíamos a ajuda necessária para vencer.

E foi o que ocorreu, após um difícil trabalho de conscientização dos adolescentes sobre a necessidade de se comprometer com algo que lhes traria benefício, fomos atrás de profissionais qualificados para introduzir os adolescentes ao mundo do cinema e suas técnicas. Foi quando cruzamos o caminho do pessoal da Mnemocine (indicação de Rodrigo Serafino, um doas voluntários precursores da Oficina).

Acostumados com projetos dentro do terceiro setor, os professores da Mnemocine nos aconselharam a iniciar a Oficina com um módulo de fotografia, preparando os adolescentes para uma próxima oficina de vídeo, para depois uma de áudio e assim sucessivamente. Fizeram um orçamento para a execução das aulas, e a luta em busca de recursos, talvez um dos maiores inimigos, se iniciou.

Todos os voluntários iniciaram a busca. Um amigo aqui, um parente ali, um dirigente da empresa lá, e nada de conseguirmos fechar o valor, e quando pensávamos que não iríamos conseguir, a ajuda que falei a pouco, aquela que tínhamos fé que viria, enfim nos alcançou.

A empresa Sonae Sierra, administradora de shoppings centers, onde o voluntário Fagner trabalha, aprovou o projeto da Oficina de Fotografia que lhe foi apresentado, assumindo a responsabilidade pelo pagamento dos três meses integrais de curso. Nossa felicidade estava quase completa. Mas ainda nos restava a incerteza de saber se as crianças abraçariam ou não a idéia e se apareceriam no curso que se iniciaria no dia 29/06, último domingo.

Após visitas pessoais por nós realizadas na favela, onde comunicamos os pais sobre o curso que se iniciaria, além do constante incentivo à participação no curso de fotografia durante os sábados, para nossa agora completa alegria, os adolescentes apareceram em peso, empolgados para aprenderem a tirar fotos.

Em um domingo lindo e ensolarado, um marco para a Oficina de Cinema. Após alguns meses de aparentes derrotas, vimos que não foi em vão todo o esforço que empregamos, e enfim, a Oficina de Cinema do Projeto Vida Nova parecia, ali, bem diante de nossos olhos, começar a funcionar.

Tivemos a primeira saída para fotografar a comunidade, e o objetivo era que as crianças fotografassem algo que representasse o bairro. Essa atividade, de certa forma, fez com que as crianças enxergassem ou percebessem algumas coisas presentes em seu cotidiano que às vezes passam por alto na correria do dia a dia. Coisas boas e coisas ruins, um córrego poluído infestado de ratos ou uma obra de arte desenhada em um muro, o lixo jogado por toda a parte ou o sorriso de uma mãe na janela de sua casa, e um senso crítico da própria realidade parece estar se despertando de seu sono. Um passo firme rumo à transformação.

No final da aula, tivemos ainda a oportunidade de ouvir os depoimentos a respeito daquela primeira experiência com a fotografia, e foi impossível não se emocionar ao ouvir frases como “foi muito melhor aprender sobre fotografia do que ficar na rua fazendo besteira” ou ainda “obrigado por esta oportunidade”. Mal sabem eles que nós é que seremos sempre gratos pela oportunidade que nos dão de aprender a, enfim, viver de um modo que faça sentido.

No decorrer deste texto você tem a grande oportunidade de, emprimeira mão, ver algumas das fotos tiradas pelos adolescentes neste domingo, na tentativa de expressar a sua visão da própria realidade.

É só o início da reviravolta na grande batalha em que estamos inseridos, a inimizade da desigualdade, da revolta, da violência e da falta de recursos ainda tentará nos dar o troco, estamos cientes disso, mas estamos seguros que nesse momento, poderemos contar com ajuda, primeiramente de Deus, depois de pessoas e empresas que estejam dispostas a mudar o rumo natural das coisas.

Fica aqui nosso agradecimento à empresa Sonae Sierra por ter se disposto a nos ajudar nessa luta contra a desigualdade,miséria e violência. Vocês estão fazendo uma profunda diferença na vida de muitos.


28 de junho de 2008

28 de junho, o primeiro Roteiro e uma participação especial

Diferente do publicado aqui há algumas semanas, quando dissemos que faríamos uma campanha publicitária com direito à propaganda em vídeo, resolvemos, por problemas de logística e de cronograma, voltar para a idéia inicial: o curta-metragem. Não é preciso ser Fernando Meirelles para perceber que terminar o semestre numa Oficina de Cinema com algo “palpável” como um curta seria uma coisa boa para alunos, apresentando um resultado à curto prazo dos seus esforços na tela, para nós voluntários e, claro, para atuais/futuros patrocínios, mostrando o que a oficina fez até agora.

Escolhemos o penúltimo sábado de junho para o início da tarefa. Apesar das necessárias mudanças, o tema da campanha seria mantido. Como eu não tinha em mente um local fácil para alugar um curta, que serviria como exemplo, apelei para a Pixar. Assistimos apenas a dois curtas animados, “For the Birds” e “Knick Knack”, presentes nos DVDs de “Monstros S.A.” e “Procurando Nemo”, respectivamente.

Olhando por um lado, não foram realmente bons exemplos, afinal não tem diálogo algum e, óbvio, são animados. Claramente, isso não é necessariamente um problema. Já que, em contra partida, eles serviram para mostrar duas coisas importantes: características de personagens, com a ajuda dos sempre muito expressivos seres animados da Pixar, e o simplificador fato do curta ser apenas um longa curto (sic). Vale lembrar que os tópicos Personagem e História foram trabalhados durante todo o semestre, portanto, funcionando quase como uma prova de fim de semestre, precisávamos “aplicar” tal avaliação.

Passadas as animações, fomos para a prática. Dividimos a oficina em dois grupos e cada uma criou o esqueleto da história. A forma de quatro equipes usada durante o semestre teve de ser revista, já que as tarefas agora seriam muito especificamente divididas e sete pessoas por equipe poderiam não ser suficientes.

No último sábado (28), retomamos a atividade. O objetivo, agora, era detalhar e caracterizar ao máximo a história criada por eles, deixando ela pronta para o momento da filmagem. Era o primeiro passo na roteirização de uma história. Com a sala ainda dividida em duas equipes, usamos a primeira página do roteiro de “Cidade de Deus”, de Bráulio Mantovani, como exemplo. Daí, então, todos os alunos construíram juntos os primeiros roteiros da oficina.

Mas em um dos grupos, uma interessante surpresa chamava a atenção dos alunos da oficina: Karina Barum. A atriz que graciosamente atendeu nosso convite, não só compareceu, como participou da atividade do dia, colaborando com sua experiência no teatro, cinema e TV. Experiência esta contada ao fim do dia, com Karina falando um pouco mais sobre seu trabalho e sobre sua realista visão de sucesso.

A atriz não estava só, trouxe sua fofíssima filha que encantou o Projeto Vida Nova inteiro. Outras duas, não menos importantes, visitas estiveram lá: Silvinha, amiga da Fabiana Vaz e futura voluntária, e Aninha (quantos “inhas”) que veio com o grande Samuel. O nosso muitíssimo obrigado a todas vocês e, de coração, voltem sempre.

É inegável o surgimento de um saudável orgulho em nós voluntários. Cada detalhe, cada linha de história, cada nome de personagem, uma simples participação, tudo isso é motivo desse bem vindo sentimento. Difícil passar com simples palavras tantos momentos, desde os tensos aos de verdadeira alegria, passados ali. Quem diria a um ano atrás, quando munidos de apenas boa vontade, que chegaríamos tão longe. E olha que a Fotografia ainda nem começou...

23 de junho de 2008

Crianças no Cinema!

No sábado, foi-me informado que levaríamos as crianças mais "firmezas" da aula de teatro para assistir um filme e comer no McDonald's no domingo à tarde. Decidimos premiar os alunos da Oficina de Cinema que ao longo do semestre frequentaram as aulas complementares com seriedade, participação ativa e sem faltas. Jéssica, Franciele, duas Sabrinas e, para surpresa de todos, Ramiro foram os selecionados para o passeio no shopping.

A tarde de domingo era fria, cinzenta e os termômetros marcavam 14ºC. Para as crianças da oficina, entretanto, mais parecia uma tarde de sol. Às 14h em ponto lá estavam todos em frente à sede Projeto Vida Nova, produzidos e ansiosos. "Achei que vocês tinham esquecido da gente" diz Sabrina, 14, reclamando do meu atraso de 5 minutos.

Mauro e Fagner chegaram logo em seguida e, assim que decidimos que as meninas iriam em um carro e os meninos em outro, partimos em direção ao Shopping Market Place. A princípio senti-me um pouco receosa, insegura, temendo a falta de intimidade ou de interesse das meninas. No entanto, menos de 5 minutos depois, quando ainda nos encontrávamos na Estrada de Itapecerica, percebi que já estávamos conversando sobre nossa vida, nossos sonhos, frustrações, vontades e expectativas.

É interessante perceber como um mínimo de convivência, um pouco de conversa e algumas risadas abrem portas para vidas que antes pareciam inatingíveis. Durante o percurso até o shopping, as meninas me contaram sobre suas famílias, namorados, o que pensam do local onde vivem e o que querem pro futuro.

A chegada no shopping, o McDonalds, o filme (Incrível Hulk, por sinal bastante interessante) se transformaram em momentos tão divertidos que parecia, de fato, um passeio rotineiro com amigos meus. Esses aspectos, entretanto, foram ofuscados pelo sentimento prazeroso de desenvolver um relacionamento verdadeiro e de amizade com aqueles alunos. Este, desde o começo da oficina, foi nosso maior desejo e ver que a cada sábado estamos, pouco a pouco, fazendo parte da vida deles tem sido uma experiência bastante significativa.

Ainda há muito que conquistar e muitos para serem conquistados, porém, com a ajuda de Deus e esforços dos voluntários, estamos conseguindo fazer parte da vida desses jovens com realidades tão diferentes das nossas, para que nessa troca de experiência, possamos mudar a vida deles, assim eles mudam a nossa.

15 de junho de 2008

Festa Junina.zip


Eu havia prometido falar um pouco mais sobre a Festa Junina do Projeto Vida Nova, mas felizmente as coisas na Oficina de Cinema vêm acontecendo de forma tão surpreendente que fica difícil escolher o que devemos diariar.

Para não deixar de lado e correr o risco de cair no desmerecido esquecimento, vou resumir em sucintas palavras a Festa Junina. Visando a maior colaboração de todas as oficinas, a coordenação da ONG resolveu criar uma competição entre elas. A palavra é meio pesada, mas foi saudavelmente usada por todos os envolvidos.

O resultado, como esperado, foi excelente, fazendo do simples evento junino um grande arrecadador de recursos. Sem falar nos inúmeros contatos que fizemos durante o fim de semana. A nossa oficina saiu como vencedora, graças ao trabalho dos voluntários, mas como tudo é revertido para a ONG, seja no geral seja na oficina especificamente, é justo dizer que todos saímos vencedores.

Há muito ainda pra contar sobre o evento, por isso deixo aqui aberto para francos e demais voluntários contarem (por post ou por comentário) mais detalhes e momentos desse memorável fim de semana.

9 de junho de 2008

Fotografia chegando e um pedido de desculpas

Peço perdão aos quase 5 leitores deste blog pela falta de atualização do mesmo. Realmente, não ando tendo muito tempo e o que me sobra, gasto no cinema, lendo gibi ou algum livro dos que comecei ("Manual do Roteiro", de Syd Field, "Story", de Robert McKee, e "Ensaio Sobre a Cegueira", Saramago).

Acredito que os outros francos colaboradores andam ocupados com as mesmas coisas (estudos, Oficina de Cinema e trabalho), então pelo desculpa por eles também.

A Oficina de Cinema anda muito bem, obrigado. Enfim, a aula de fotografia dada pela galera da Mnemocine está com a data marcada para o dia 29 de junho. Sem falta, sem chorumelas. O dinheiro chegará até lá (we really hope so!).

Alguns feriados e festas da ONG, como a junina do último final de semana, "atrapalharam" o ritmo da criançada, mas recuperaremos antes das aulas de fotografia, nosso maior momento desde o começo da Oficina.

Posteriormente, deveremos escrever sobre a citada festa junina. Os dois dias renderam, e ainda há de render, muitas boas histórias.

Ah, "Ensinando a Viver", com John Cusack, que está ainda em cartaz, é bem fofo. Nada novo, mas bem fofo, graças, claro, ao Cusack e ao pentelho "vindo de marte".

Uma boa semana a todos!